Morre Luiz Carlini, lenda da guitarra e criador de um dos solos mais históricos do rock brasileiro

O rock brasileiro perdeu nesta quinta-feira um de seus maiores nomes. Morreu aos 73 anos o guitarrista e compositor Luiz Carlini, referência absoluta da guitarra nacional e responsável por alguns dos riffs e solos mais marcantes da música brasileira.
A morte foi confirmada por familiares nas redes sociais do artista. A causa não foi divulgada.
Carlini entrou definitivamente para a história do rock nacional ao criar o icônico solo de “Ovelha Negra”, clássico eternizado na voz de Rita Lee no álbum “Fruto Proibido”, lançado em 1975 e considerado um dos discos mais importantes da música brasileira.
Com estilo emocional, intenso e cheio de personalidade, Luiz Carlini ajudou a moldar a identidade sonora do rock brasileiro durante os anos 1970. Seu trabalho misturava blues, hard rock e influências da Jovem Guarda, criando uma assinatura musical reconhecida por diferentes gerações.
Muito antes da fama, Carlini acompanhou de perto o nascimento do rock psicodélico no Brasil. Vizinho dos integrantes dos Os Mutantes no bairro da Pompeia, em São Paulo, ele participou dos bastidores do grupo ainda nos primeiros anos da banda, chegando a atuar como roadie.
Em 1973, fundou a banda Tutti Frutti, peça fundamental na carreira solo de Rita Lee após a saída da cantora dos Mutantes. Juntos, eles viveram uma das fases mais emblemáticas do rock nacional, produzindo sucessos que atravessaram décadas.
Além de “Ovelha Negra”, Carlini participou da criação de músicas como “Agora Só Falta Você”, “Lá Vou Eu”, “Com a Boca no Mundo” e “Corista de Rock”.
Diferente de muitos guitarristas focados apenas na técnica, Carlini ficou conhecido por usar a guitarra como parte da narrativa das músicas. Seus solos eram construídos para transmitir emoção e dialogar diretamente com as letras.
Com sua inseparável Gibson Les Paul, tornou-se inspiração para inúmeros músicos brasileiros. Entre os admiradores declarados de seu trabalho está Roberto Frejat, que frequentemente citava Carlini como uma de suas grandes referências.
Ao longo da carreira, o guitarrista participou de mais de 400 gravações e trabalhou com artistas como Erasmo Carlos, Guilherme Arantes, Lobão, Supla, Barão Vermelho, Titãs e Camisa de Vênus.
Mesmo longe dos grandes holofotes nos últimos anos, Carlini seguia ativo na música e integrava recentemente a banda da turnê “50 Anos Luz”, de Guilherme Arantes.
A morte do músico provocou uma onda de homenagens nas redes sociais. Artistas, bandas e fãs destacaram a importância dele para a construção da guitarra brasileira e para a consolidação do rock nacional.
O velório acontece nesta sexta-feira, no Cemitério da Lapa, na zona oeste de São Paulo. O enterro será realizado no mesmo local.



