
O sistema solar pode abrigar vida fora da Terra? Essa é uma questão que intriga cientistas há décadas, e a resposta pode estar mais próxima com o lançamento da missão Europa Clipper, da NASA, marcada para esta segunda-feira (14). A sonda será enviada para Europa, uma das luas de Júpiter, com o objetivo de investigar se esse mundo gelado tem condições para sustentar vida.
A Europa Clipper decolará do Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo do foguete SpaceX Falcon Heavy, com previsão de lançamento às 12h06, horário local (13h06 em Brasília). A viagem interplanetária durará cinco anos e meio, com a chegada em abril de 2030.
O mistério de Europa
Europa, cuja superfície é coberta por uma camada de gelo, abriga um oceano subterrâneo de água líquida, segundo estimativas dos cientistas. Esse oceano foi sugerido pelas primeiras imagens capturadas em 1979 pela sonda Voyager e posteriormente confirmado pela sonda Galileo nos anos 1990. A missão Europa Clipper busca determinar se esse ambiente extremo pode abrigar os três elementos essenciais para a vida: água, energia e compostos químicos.
Embora a sonda não tenha como objetivo detectar diretamente sinais de vida, o foco principal será investigar a habitabilidade de Europa. “Estamos explorando um mundo que pode ser habitável agora, e não um que foi habitável bilhões de anos atrás, como Marte”, explicou Curt Niebur, chefe científico da missão.

Instrumentos de última geração
A Europa Clipper carrega uma série de instrumentos avançados, como câmeras, espectrógrafos, radares e magnetômetros, todos projetados para analisar a estrutura, composição e salinidade do oceano que pode estar abaixo da superfície gelada de Europa. Com seus painéis solares de 30 metros de comprimento, a sonda foi desenvolvida para capturar a luz fraca no caminho até Júpiter.
A missão envolverá 49 sobrevoos por Europa, alguns a apenas 25 quilômetros de sua superfície, com o objetivo de coletar dados que possam confirmar a presença dos ingredientes necessários para a vida. Embora a sonda não consiga penetrar nas profundezas do oceano, os cientistas acreditam que, se existir vida ali, ela poderia estar na forma de bactérias primitivas, explicou Bonnie Buratti, cientista adjunta da missão.

Implicações para a busca de vida
A missão Europa Clipper, que custa cerca de US$ 5,2 bilhões, é um investimento justificado pela enorme relevância de seus potenciais achados. “Se descobrirmos que tanto a Terra quanto Europa podem ser habitáveis, isso muda nossa percepção sobre a vida no universo”, disse Curt Niebur. A descoberta de um segundo mundo habitável no nosso sistema solar poderia abrir novos horizontes para a busca de vida em outros sistemas solares e galáxias.
Além disso, a missão da NASA funcionará em paralelo à Juice, sonda da Agência Espacial Europeia (ESA), que está explorando outras luas de Júpiter, incluindo Ganimedes e Calisto. Ambas as missões combinadas poderão revolucionar a compreensão sobre a habitabilidade de corpos celestes fora da Terra.
Se Europa realmente contiver condições propícias à vida, novas missões serão planejadas para uma exploração mais profunda e detalhada, com o objetivo de finalmente responder à pergunta: há vida além da Terra?

