
Uma menina de 8 anos foi internada em estado grave após utilizar, sem saber os riscos, uma caneta emagrecedora pertencente à mãe, no estado de Indiana, nos Estados Unidos. O episódio aconteceu em dezembro de 2024, dentro da residência da família, mas só agora foi divulgado como forma de alerta a outros pais sobre o perigo do acesso de crianças a medicamentos indicados exclusivamente para adultos.
A criança, identificada como Jessa Milender, foi encontrada desacordada pela mãe e precisou ser levada às pressas para o hospital. Segundo o relato da família, a menina não tinha noção do que estava aplicando e acreditava que o remédio poderia aliviar uma dor no estômago que sentia naquele momento.
Pouco tempo após o uso do medicamento, Jessa passou a apresentar sintomas severos, como náuseas intensas, vômitos frequentes — que se repetiam de hora em hora —, dor abdominal forte, além de episódios alternados de diarreia e constipação. Ao dar entrada no hospital, ela estava desidratada, com olhos fundos e pele acinzentada, o que exigiu hidratação intravenosa imediata. A dose utilizada foi considerada extremamente alta para o organismo de uma criança.
Após o primeiro atendimento, a menina apresentou melhora clínica e recebeu alta. No entanto, ao retornar para casa, o quadro voltou a se agravar. Jessa passou a sentir fraqueza extrema, voltou a vomitar com frequência, teve dificuldade para se alimentar e não conseguia evacuar. Diante da evolução dos sintomas, os médicos passaram a suspeitar, inclusive, de possível comprometimento renal.
Durante o período mais crítico, a criança ficou seis dias sem conseguir se alimentar, vomitando até mesmo a água ingerida, o que resultou em rápida perda de peso. O caso exigiu novo acompanhamento médico até que o quadro fosse estabilizado. Atualmente, segundo a família, Jessa está bem e não apresenta sequelas aparentes.
A mãe, Melissa Milender, relatou que a filha utilizou grande parte do conteúdo da caneta de GLP-1. Esses medicamentos são fracionados em doses semanais para adultos, o que indica que a criança acabou aplicando, de uma só vez, uma quantidade muito superior à recomendada até mesmo para pessoas adultas.
Durante o atendimento, os profissionais de saúde precisaram recorrer a centros especializados em intoxicação para orientar a conduta médica. Isso porque não existe um protocolo específico para casos de overdose por medicamentos emagrecedores em crianças, já que esses remédios não fazem parte da prática pediátrica.
O caso expôs uma situação ainda pouco conhecida nos serviços de emergência, mas que tende a se tornar mais frequente com a popularização das chamadas canetas emagrecedoras. Especialistas alertam que esses medicamentos não são inofensivos e podem provocar reações graves quando usados fora da indicação médica ou em doses inadequadas.
Após o episódio, a família mudou a rotina em casa e passou a manter todos os medicamentos guardados em locais trancados. A decisão de tornar o caso público, segundo a mãe, foi motivada pelo desejo de evitar que outras crianças passem por situações semelhantes.
