
Uma criança de apenas 4 anos foi socorrida em estado grave no último domingo (31), após denúncias de agressões cometidas pelo próprio pai e pela madrasta no bairro de Peixinhos, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. De acordo com o Conselho Tutelar, a menina apresentava hematomas por todo o corpo, queimaduras de cigarro, mancava ao andar e pesava apenas 12,5 quilos, indicando subnutrição severa.
A situação chegou ao conhecimento das autoridades após vizinhos escutarem gritos e choros vindos da residência onde a criança vivia. Ao arrombarem a porta, testemunharam agressões cometidas pela madrasta, que teria sido flagrada batendo na menina. Revoltados, moradores chegaram a linchar a mulher, que fugiu em seguida com o pai da criança. Ambos estão foragidos, e suas identidades não foram divulgadas em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
Segundo relato da conselheira tutelar Claudia Roberta, testemunhas afirmaram que os agressores chegaram a bater a cabeça da criança contra a parede. Após o resgate, a menina foi levada inicialmente à Policlínica Amaury Coutinho, no bairro da Campina do Barreto, mas devido à gravidade dos ferimentos, foi transferida para o Hospital da Restauração, no Centro do Recife. Lá, passou por avaliação neurológica e ortopédica.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, a tia materna da criança — que agora está com a guarda provisória — relatou histórico contínuo de maus-tratos. A mãe da menina já é falecida, e a criança vivia sob responsabilidade do pai e da madrasta. Vizinhos também informaram que a criança era mantida isolada, sem acesso a outras pessoas e sem frequentar a escola.
O caso foi registrado como maus-tratos e lesão corporal por violência doméstica. A Polícia Civil de Pernambuco abriu inquérito para investigar os responsáveis. A menina permanece sob cuidados médicos e será acompanhada por nutricionista, além de receber apoio psicológico.
A tia, que assumiu a responsabilidade temporária, informou ao Conselho Tutelar que dará entrada no pedido oficial de guarda junto ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). A corte informou que, por se tratar de uma ação no âmbito do Direito de Família, o processo corre em segredo de Justiça.
