
Uma iniciativa vinda do interior de Pernambuco está ganhando espaço no cenário ambiental brasileiro. Emanuely Rebeca Augusto Ferreira da Silva, de apenas 11 anos, foi escolhida para representar o estado na Conferência Nacional Infantojuvenil de Meio Ambiente, marcada para outubro, em Brasília. Aluna do 6º ano da Escola de Referência em Ensino Fundamental Capitão Plínio de Souza Monteiro, localizada em Nazaré da Mata, a jovem lidera o projeto “Vozes de Comunidades Invisíveis”.
A proposta surgiu de um esforço coletivo entre professores e estudantes da escola pública e tem como objetivo evidenciar a vulnerabilidade de comunidades periféricas e rurais frente às mudanças climáticas. Coordenado pelo educador Cláudio Eduardo, o projeto desenvolve ações socioambientais em três comunidades locais, destacando a exclusão dessas populações das decisões políticas ambientais.
O reconhecimento do projeto se deu em um processo seletivo disputado: dos 113 trabalhos apresentados em Pernambuco, apenas 20 foram selecionados para a fase nacional — sendo o de Nazaré da Mata o único da Gerência Regional de Educação da Mata Norte. A seleção de Emanuely foi resultado de votações estudantis e de sua apresentação de destaque na etapa estadual realizada em Sairé, onde se sobressaiu entre outros concorrentes com sua desenvoltura e firmeza nos argumentos.
A Conferência Infantojuvenil de Meio Ambiente é considerada uma etapa preparatória para a COP30, que ocorrerá em Belém (PA), em 2025. Embora não garanta participação direta no evento internacional, ela serve como espaço estratégico para integrar ideias e diagnósticos ao debate global sobre justiça climática e sustentabilidade.
Durante o desenvolvimento do projeto, os alunos participaram de debates, registros fotográficos e votações internas, que ajudaram a definir as prioridades da proposta. Para a equipe da escola, o projeto vai além da sala de aula, fortalecendo os vínculos entre educação e território, e destacando a importância de ouvir quem vivencia na prática os impactos da crise ambiental.
A prefeita Adriana Andrade Lima manifestou apoio à iniciativa e afirmou que a prefeitura está pronta para colaborar com a implementação das ações previstas. Segundo ela, o protagonismo da jovem estudante é motivo de orgulho para todo o município, e a gestão local pretende integrar os resultados do projeto à agenda ambiental do município.
A trajetória de Emanuely e sua escola até a etapa nacional reflete um movimento crescente de engajamento juvenil na pauta ambiental, com destaque para as realidades locais. Em Brasília, ela terá a missão de levar a voz de sua comunidade ao centro das discussões, contribuindo com uma perspectiva muitas vezes invisibilizada no debate climático.
