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Márcio Canella, deputado estadual eleito com quase 200 mil votos, é preso pela Polícia Federal no Rio de Janeiro

Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, está entre os seis detidos na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga possíveis ligações entre agentes públicos e organizações criminosas.

Menos de duas semanas depois de conquistar uma das maiores votações para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (15). O político, que recebeu 197.178 votos nas eleições de 4 de outubro, é um dos alvos da oitava fase da Operação Unha e Carne.

A ação policial também resultou na prisão do ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amim, e de outros quatro homens. A investigação busca esclarecer possíveis conexões entre integrantes do poder público e grupos criminosos com atuação no estado.

Canella foi abordado por agentes federais no condomínio onde estava. Ao deixar o local sob escolta policial, utilizou um guarda-chuva para cobrir o rosto e evitar imagens de sua saída.

O parlamentar eleito já havia sido alvo de outra etapa da mesma investigação. Em julho de 2026, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, policiais federais encontraram um fuzil dentro de seu veículo. Na ocasião, ele acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, mas afirmou que o armamento não lhe pertencia.

Naquela fase, Canella era inicialmente alvo de um mandado de busca e apreensão. A investigação concentrava esforços em uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, suspeita de movimentar R$ 7,6 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro que teria contado com a participação ou anuência de políticos.

Trajetória política e votação expressiva

Antes de conquistar o segundo lugar entre os candidatos mais votados para deputado estadual nas eleições de 2026, Márcio Canella construiu sua carreira política em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense.

Eleito prefeito em 2024, deixou o comando da administração municipal no início deste ano. Inicialmente, sua intenção era disputar uma vaga no Senado Federal, mas acabou concorrendo à Assembleia Legislativa.

Canella também exerceu os cargos de vereador, vice-prefeito e secretário municipal da Casa Civil durante a gestão do ex-prefeito Waguinho. Na política estadual, já havia ocupado uma cadeira na Alerj por dois mandatos anteriores.

A prisão desta quinta-feira acrescenta um novo capítulo à trajetória do deputado eleito, que conquistou quase 200 mil votos poucos dias antes da operação policial. A detenção, por si só, não representa condenação, e eventuais responsabilidades criminais ainda dependem da apuração e das decisões da Justiça.

Até a última atualização das informações divulgadas, a TV Globo buscava manifestações da defesa de Márcio Canella e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro sobre a operação.

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