
A Polícia Civil de Pernambuco prendeu, na noite da quinta-feira (15), a mãe do menino de 4 anos que morreu após sofrer agressões e abuso sexual em Caruaru, no Agreste do estado. O nome e a idade da mulher não foram divulgados. Segundo a polícia, ela é investigada por negligência, omissão e por tentar encobrir o crime cometido pelo companheiro, padrasto da criança.
De acordo com as investigações, outras crianças que viviam no mesmo núcleo familiar também eram vítimas de maus-tratos, incluindo violência física reiterada, negligência grave, trabalho infantil e silenciamento por meio de ameaças. Diante desse cenário, o Conselho Tutelar foi acionado e determinou o afastamento imediato das vítimas do convívio familiar.
O crime veio à tona após o menino dar entrada, no dia 29 de dezembro de 2025, em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Santa Rosa. Na ocasião, a mãe e o padrasto alegaram que a criança havia sofrido um acidente doméstico, supostamente uma queda. No entanto, exames realizados pela equipe médica identificaram múltiplas lesões no corpo e na cabeça, além de laceração nos órgãos genitais.
Segundo o delegado Francisco Souto Maior, responsável pelo caso, houve negligência no socorro à vítima. “Propositalmente esperaram a criança desfalecer para depois levar ao hospital. E ainda tentaram simular a situação de um acidente”, afirmou. Ele também destacou que a mãe tentou sustentar a versão da queda para acobertar o companheiro.
As crianças acolhidas pelo Conselho Tutelar relataram às autoridades que sofriam agressões frequentes dentro de casa. Em entrevista, a mulher apresentou versões contraditórias e não confessou participação nos crimes, segundo informou a Polícia Civil.
O delegado Eric Costa, da 20ª Delegacia de Homicídios de Caruaru, informou que a causa da morte foi traumatismo craniano provocado por agressões na região da cabeça. Os laudos periciais também confirmaram que o menino vinha sendo vítima de abusos sexuais antes de morrer.
O padrasto da criança já havia sido preso por mandado expedido pela Vara do Tribunal do Júri de Caruaru e passou por audiência de custódia na sexta-feira (9), quando teve a prisão preventiva decretada. A Justiça não divulgou a unidade prisional para onde ele foi encaminhado. As investigações continuam para apurar todas as responsabilidades no caso.
