
Durante a celebração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, realizada neste sábado (7), em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a maior parte da população evangélica brasileira recebe algum tipo de benefício do governo federal. A declaração foi feita diante de militantes, dirigentes partidários e representantes de movimentos sociais, em um discurso voltado à estratégia política do partido para ampliar diálogo com esse segmento do eleitorado.
“90% dos evangélicos ganham benefícios do governo. Nós não podemos esperar que eles falem bem de nós. Nós precisamos ir para lá, conversar”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, embora muitos evangélicos já sejam alcançados por políticas públicas, isso não se traduz automaticamente em apoio político. Por isso, o presidente defendeu que o Partido dos Trabalhadores intensifique a presença e o diálogo nos espaços frequentados por fiéis, com escuta ativa e atuação mais próxima da realidade das comunidades religiosas.
A fala reforça uma mudança de tom adotada pelo presidente nos últimos meses em relação ao público evangélico, que representa uma fatia expressiva do eleitorado nacional. Lula tem sinalizado que a relação entre o governo e esse grupo não deve se limitar a ações institucionais, mas envolver contato direto, participação política e construção de confiança.
Como parte desse movimento, o presidente lembrou gestos recentes do governo voltados à comunidade evangélica. Um deles foi a assinatura, em dezembro, de um decreto que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural nacional. À época, o Palácio do Planalto tratou a medida como um gesto simbólico de respeito e valorização da diversidade religiosa no país.
No discurso deste sábado, Lula deixou claro que o partido não deve esperar reconhecimento espontâneo por ações de governo. Para ele, é necessário disputar narrativas, ocupar territórios e dialogar de forma permanente com os fiéis, especialmente em um cenário político marcado por forte influência religiosa e conservadora.
A declaração gerou repercussão imediata entre aliados e críticos, reacendendo o debate sobre a relação entre política, religião e políticas públicas. Nos bastidores do PT, a avaliação é de que a fala sinaliza uma estratégia mais ofensiva do partido para reduzir resistências e ampliar sua base de apoio entre os evangélicos nos próximos ciclos eleitorais.
