Política

Lula contesta classificação de PCC e CV como grupos terroristas adotada pelos Estados Unidos

Presidente criticou posição do governo Donald Trump durante agenda de segurança pública no Rio e associou o conceito de terrorismo à tentativa de ruptura…

Clebson Amsterdan Atualizado em 18 de setembro de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a divergir do governo dos Estados Unidos sobre o tratamento dado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Nesta sexta-feira (18), durante agenda no Rio de Janeiro, Lula afirmou que não concorda com a decisão norte-americana de enquadrar as duas facções brasileiras como organizações terroristas.

A manifestação ocorreu durante a apresentação de ações integradas de enfrentamento ao crime organizado. Lula defendeu o combate às facções, mas sustentou que a classificação adotada pelos Estados Unidos não corresponde à interpretação defendida por seu governo. A administração de Donald Trump designou formalmente PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras neste ano.

Ao abordar o tema, Lula relacionou o conceito de terrorismo à disputa pelo poder político e citou os atos de 8 de Janeiro e o plano investigado pelas autoridades brasileiras que previa ataques contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. O presidente atribuiu esses episódios ao contexto da tentativa de impedir a transição de governo após as eleições de 2022 e responsabilizou politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A divergência entre Brasília e Washington ganhou novo capítulo nesta semana. Em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos, Trump afirmou que o governo brasileiro não teria conseguido enfrentar adequadamente PCC e CV e descreveu as organizações como uma ameaça internacional. O Ministério da Justiça e Segurança Pública rejeitou a avaliação e afirmou que o Brasil mantém ações permanentes contra o crime organizado.

O governo brasileiro também destacou operações contra o patrimônio de organizações criminosas e mecanismos de cooperação internacional. Segundo a resposta apresentada pelo Ministério da Justiça, o Brasil sequer foi incluído na relação norte-americana dos 23 principais países produtores ou utilizados como rota de trânsito de drogas ilícitas.

Durante o compromisso no Rio, Lula também tratou de soberania e da necessidade de ampliar os investimentos brasileiros em segurança. O presidente mencionou a extensão das fronteiras nacionais e relacionou essa preocupação à proteção de recursos estratégicos, como petróleo, minerais críticos e terras raras.

A agenda desta sexta também marcou a apresentação de uma estratégia integrada entre os governos federal e estadual para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro. Entre os objetivos estão enfraquecer a logística dos grupos, recuperar territórios sob influência do crime e ampliar a atuação coordenada das forças de segurança.

Lula classificou a iniciativa no Rio como uma experiência que poderá servir de referência para outras regiões do país. O plano prevê cooperação entre diferentes níveis de governo e atuação conjunta de órgãos de segurança para enfrentar facções, milícias e outras organizações criminosas.