João Campos promete ir à Justiça após denúncia de espionagem ilegal contra aliado da Prefeitura do Recife

Prefeito reage a monitoramento atribuído à Polícia Civil, fala em ataque à democracia e cobra responsabilização dos envolvidos

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), anunciou que vai acionar a Justiça após a revelação de uma suposta ação de espionagem ilegal envolvendo a Polícia Civil de Pernambuco. A denúncia aponta que o chefe de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, teria sido monitorado sem autorização judicial por agentes da corporação.

Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de segunda-feira (26), o prefeito afirmou que o caso ultrapassa qualquer limite institucional e garantiu que os responsáveis serão cobrados judicialmente. Segundo ele, práticas desse tipo não têm espaço em um regime democrático e não podem ficar sem resposta.

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De acordo com as informações reveladas, o monitoramento teria ocorrido entre agosto e outubro de 2025. Um carro oficial utilizado pelo secretário municipal teria sido seguido por policiais civis e chegou a receber um dispositivo de rastreamento. O irmão dele, Eduardo Monteiro, também teria sido alvo da vigilância.

Ao comentar o episódio, João Campos destacou que investigações devem respeitar regras legais. Para o prefeito, não se trata de impedir o trabalho policial, mas de garantir que qualquer apuração ocorra com autorização judicial e dentro dos limites da lei. Ele afirmou que a instalação de rastreadores em veículo oficial, sem ordem judicial, configura crime grave e levantou questionamentos sobre até onde a ação poderia ter chegado caso não tivesse sido revelada.

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco confirmou a existência do monitoramento. Em entrevista coletiva, o secretário Alessandro Carvalho declarou que a apuração foi motivada por uma denúncia de suposto recebimento de propina e que o foco da investigação era o veículo da frota municipal utilizado pelo servidor. Segundo a pasta, não houve irregularidade e a apuração preliminar foi encerrada sem abertura de inquérito, após não serem encontrados indícios de crime.

Outro ponto revelado foi a existência de um grupo no WhatsApp, chamado “Nova Missão”, formado por policiais e delegados da Polícia Civil de Pernambuco, onde eram compartilhadas informações sobre a rotina do secretário. A SDS confirmou a criação do grupo. Mensagens indicariam o acompanhamento do carro oficial e a compra de uma “tag”, equipamento usado para rastreamento, instalado enquanto o veículo estava estacionado em um supermercado.

O prefeito questionou publicamente quem autorizou a criação do grupo e classificou a iniciativa como ilegal e imoral. Ele afirmou que instituições com a história e a responsabilidade da Polícia Civil não podem admitir ações fora da legalidade e levantou dúvidas sobre a condução da apuração, especialmente após o arquivamento do caso sem qualquer formalização pública.

O episódio deve ter novos desdobramentos nos próximos dias, com a judicialização anunciada pela Prefeitura e a expectativa de apuração mais aprofundada sobre a atuação dos agentes envolvidos.

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