Religião

Iphan destina R$ 460 mil para projeto de restauração do Sítio de Pai Adão, no Recife

O Memorial Ilê do Terreiro Obá Ogunté, localizado no Sítio de Pai Adão, no Recife, receberá R$ 460 mil para a elaboração de um projeto de restauração.

Pernambuco Notícias Atualizado em 18 de junho de 2026
reprodução:Iphan

O Memorial Ilê do Terreiro Obá Ogunté, localizado no Sítio de Pai Adão, no Recife, receberá R$ 460 mil para a elaboração de um projeto de restauração. O investimento foi destinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O terreiro é o único de Pernambuco contemplado no conjunto de investimentos superiores a R$ 2,3 milhões aplicados nos últimos dois anos em seis espaços religiosos de matriz africana de Pernambuco e da Bahia. Os recursos foram viabilizados pelo Novo PAC.

O valor destinado ao Sítio de Pai Adão será utilizado na preparação dos projetos técnicos que vão orientar futuras obras de restauração. As intervenções deverão preservar as características arquitetônicas, religiosas e culturais do local.

Considerado uma das principais referências das religiões de matriz africana em Pernambuco, o terreiro exerce papel importante na preservação de saberes, tradições, memórias e práticas culturais afro-brasileiras.

Os projetos incluem medidas para melhorar as condições de uso dos espaços religiosos. Entre as ações previstas estão a recuperação de casas de santo, áreas de culto, ambientes de convivência e elementos artísticos.

Também serão desenvolvidas iniciativas de valorização da cultura afro-brasileira. O objetivo é garantir que os terreiros continuem funcionando como centros de religiosidade, memória, resistência e identidade cultural.

O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, afirmou que a preservação desses locais representa o reconhecimento da contribuição histórica das culturas de matriz africana para a formação do Brasil.

“Esses espaços guardam saberes, memórias e tradições fundamentais para a formação da nossa identidade nacional. Ao investir em sua preservação, o Governo Federal reconhece a contribuição decisiva das culturas de matriz africana para a história, a diversidade e a riqueza cultural do Brasil”, declarou.

Os projetos de arquitetura e engenharia são considerados etapas essenciais para a definição das futuras intervenções. O planejamento deverá assegurar que as obras respeitem as particularidades religiosas e a arquitetura sagrada tradicional de cada terreiro.

Além do espaço pernambucano, cinco terreiros da Bahia foram contemplados. Juntos, eles receberam aproximadamente R$ 1,87 milhão para a elaboração de projetos de restauração.

O maior investimento foi destinado ao Terreiro do Alaketo, Ilê Maroiá Láji, em Salvador, com R$ 931.335,96. O Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganju Didê, em Cachoeira, receberá R$ 375 mil.

Também foram contemplados o Terreiro da Casa Branca, em Salvador, com R$ 250 mil; os Terreiros do Gantois, na capital baiana, com R$ 187,5 mil; e o Terreiro Omo Ilê Agboulá, em Itaparica, com R$ 125 mil.

A preservação desses espaços também busca fortalecer a educação patrimonial, ampliar a conscientização sobre a diversidade cultural e estimular o turismo cultural em diferentes regiões do país.