Iphan destina R$ 460 mil para projeto de restauração do Sítio de Pai Adão, no Recife
O Memorial Ilê do Terreiro Obá Ogunté, localizado no Sítio de Pai Adão, no Recife, receberá R$ 460 mil para a elaboração de um projeto de restauração.
O Memorial Ilê do Terreiro Obá Ogunté, localizado no Sítio de Pai Adão, no Recife, receberá R$ 460 mil para a elaboração de um projeto de restauração. O investimento foi destinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
O terreiro é o único de Pernambuco contemplado no conjunto de investimentos superiores a R$ 2,3 milhões aplicados nos últimos dois anos em seis espaços religiosos de matriz africana de Pernambuco e da Bahia. Os recursos foram viabilizados pelo Novo PAC.
O valor destinado ao Sítio de Pai Adão será utilizado na preparação dos projetos técnicos que vão orientar futuras obras de restauração. As intervenções deverão preservar as características arquitetônicas, religiosas e culturais do local.
Considerado uma das principais referências das religiões de matriz africana em Pernambuco, o terreiro exerce papel importante na preservação de saberes, tradições, memórias e práticas culturais afro-brasileiras.
Os projetos incluem medidas para melhorar as condições de uso dos espaços religiosos. Entre as ações previstas estão a recuperação de casas de santo, áreas de culto, ambientes de convivência e elementos artísticos.
Também serão desenvolvidas iniciativas de valorização da cultura afro-brasileira. O objetivo é garantir que os terreiros continuem funcionando como centros de religiosidade, memória, resistência e identidade cultural.
O presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, afirmou que a preservação desses locais representa o reconhecimento da contribuição histórica das culturas de matriz africana para a formação do Brasil.
“Esses espaços guardam saberes, memórias e tradições fundamentais para a formação da nossa identidade nacional. Ao investir em sua preservação, o Governo Federal reconhece a contribuição decisiva das culturas de matriz africana para a história, a diversidade e a riqueza cultural do Brasil”, declarou.
Os projetos de arquitetura e engenharia são considerados etapas essenciais para a definição das futuras intervenções. O planejamento deverá assegurar que as obras respeitem as particularidades religiosas e a arquitetura sagrada tradicional de cada terreiro.
Além do espaço pernambucano, cinco terreiros da Bahia foram contemplados. Juntos, eles receberam aproximadamente R$ 1,87 milhão para a elaboração de projetos de restauração.
O maior investimento foi destinado ao Terreiro do Alaketo, Ilê Maroiá Láji, em Salvador, com R$ 931.335,96. O Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganju Didê, em Cachoeira, receberá R$ 375 mil.
Também foram contemplados o Terreiro da Casa Branca, em Salvador, com R$ 250 mil; os Terreiros do Gantois, na capital baiana, com R$ 187,5 mil; e o Terreiro Omo Ilê Agboulá, em Itaparica, com R$ 125 mil.
A preservação desses espaços também busca fortalecer a educação patrimonial, ampliar a conscientização sobre a diversidade cultural e estimular o turismo cultural em diferentes regiões do país.