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Indulto para Bolsonaro entra em negociação política de Alcolumbre para tentar reeleição no Senado

Presidente do Senado avalia entendimento com aliados do ex-presidente que também envolveria a redução da pressão pelo impeachment de ministros do STF; ainda não existe acordo firmado.

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A possibilidade de um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou a integrar discussões políticas relacionadas à disputa pelo comando do Senado Federal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), avalia uma aproximação com parlamentares ligados ao bolsonarismo em busca de apoio para sua permanência no cargo.

A articulação, relatada por interlocutores envolvidos nas conversas, envolveria duas questões de interesse da oposição: a situação judicial de Bolsonaro e as iniciativas de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O entendimento ainda está no campo das negociações preliminares. Não existe acordo fechado, tampouco uma definição sobre os termos de um eventual indulto ou sobre quais medidas poderiam ser adotadas em relação aos pedidos de impeachment.

Reeleição de Alcolumbre está no centro das articulações

A disputa pela presidência do Senado é apontada como um dos principais fatores por trás da possível aproximação entre Alcolumbre e o grupo político do ex-presidente.

Integrantes do PL avaliam que um entendimento poderia modificar a configuração das alianças dentro da Casa e reduzir a resistência à continuidade do atual presidente.

A movimentação também teria reflexos sobre possíveis candidaturas alternativas. Entre os nomes mencionados por setores da direita estão o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Nesse cenário, uma negociação com o bolsonarismo poderia dificultar a formação de um bloco político em torno de outro candidato, embora não haja definição sobre o posicionamento final dos partidos envolvidos.

Indulto a Bolsonaro e impeachment de ministros do STF estão na mesma discussão

A possibilidade de um indulto ao ex-presidente é considerada uma das pautas capazes de abrir diálogo entre Alcolumbre e parlamentares alinhados a Bolsonaro. Ao mesmo tempo, o presidente do Senado buscaria reduzir a pressão pela abertura de processos de impeachment contra integrantes do Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores, Alcolumbre tem defendido a necessidade de pacificação política após as eleições e de reconstrução do diálogo entre os Poderes. Esse argumento serviria de base para uma negociação que envolvesse representantes de diferentes grupos políticos.

É importante distinguir, porém, a articulação política da concessão efetiva de um indulto. A medida depende de competência presidencial e de requisitos jurídicos; não pode ser concedida diretamente pelo presidente do Senado.

Negociação enfrenta resistências e ainda não tem acordo

Apesar das conversas, a possibilidade de entendimento não é consensual entre integrantes da oposição. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), por exemplo, manifestou resistência à ideia de vincular um perdão a Bolsonaro ao apoio à reeleição de Alcolumbre. Folha de S.Paulo+1

O cenário mostra que a discussão envolve interesses distintos: de um lado, a tentativa de formar uma maioria para a eleição interna do Senado; de outro, as reivindicações de setores da direita sobre a situação judicial de Bolsonaro e a atuação do STF.

Até agora, não há compromisso formal anunciado entre Alcolumbre e o PL. A eventual negociação dependerá da disposição dos envolvidos para construir um entendimento, sem garantia de que a proposta avance.

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