
Um homem de 78 anos pode ter vivido toda a vida sem saber que possuía três pênis. A condição raríssima, chamada trifalia, foi identificada apenas após a morte, durante a dissecação do corpo doado à ciência no Reino Unido, em 2024.
A descoberta surpreendeu pesquisadores por se tratar de apenas o segundo caso documentado desse tipo na literatura médica mundial. A anomalia faz parte da chamada polifalia — malformação congênita extremamente incomum, estimada em um caso a cada 5 a 6 milhões de nascimentos.

Quando há três órgãos genitais, o quadro recebe o nome específico de trifalia, uma variação ainda mais rara dentro dessa estatística já excepcional.
Diferentemente do único caso anteriormente registrado — o de um bebê de três meses descrito na literatura médica, cujos órgãos adicionais eram visíveis externamente e foram removidos cirurgicamente —, o caso recente apresentava uma característica incomum: os dois pênis extras estavam localizados internamente, dentro do saco escrotal.
Externamente, a genitália tinha aparência considerada normal. Por isso, os pesquisadores avaliam como altamente provável que o homem jamais tenha sabido da condição. Médicos que o acompanharam ao longo da vida também podem não ter identificado a anomalia.
Por questões legais e éticas, não foram divulgadas informações que pudessem identificar o doador. Os cientistas informaram apenas dados gerais, como altura aproximada de 1,83 metro e porte físico médio-grande.
Possíveis impactos na saúde
Embora não haja confirmação de sintomas associados ao caso específico, especialistas levantam hipóteses sobre possíveis implicações clínicas da trifalia. Entre as complicações possíveis estão infecções urinárias recorrentes, dificuldades de fertilidade e disfunção erétil.
A descoberta também reacende uma discussão importante na comunidade científica: é possível que existam outros casos não diagnosticados, principalmente quando as estruturas adicionais não são visíveis externamente.
O achado amplia o conhecimento sobre malformações congênitas raras e reforça a importância da doação de corpos para pesquisa científica, que permite avanços no entendimento da anatomia humana e de condições extremamente incomuns.
Com apenas dois registros formais em mais de quatro séculos, a trifalia segue como uma das anomalias mais raras já descritas na medicina.








