
O caso que chocou o Sertão de Pernambuco teve um desfecho inesperado: Cristiano Alves Terto foi absolvido da acusação de tentativa de homicídio após invadir um tribunal e atirar contra o homem apontado como assassino de seu pai. A decisão foi tomada no dia 10 de abril, durante julgamento realizado no Recife.

O veredicto partiu do Conselho de Sentença da 3ª Vara do Tribunal do Júri da capital pernambucana, que reconheceu que o acusado efetuou os disparos e que houve crime. Ainda assim, ao responderem ao último quesito — que permite decidir pela absolvição — os jurados optaram por inocentá-lo, sem a obrigação de justificar a escolha.

O episódio aconteceu em novembro de 2023, dentro do fórum de São José do Belmonte, durante o julgamento de Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura, acusado de matar o pai de Cristiano anos antes. No meio da sessão do Tribunal do Júri, o homem entrou armado no plenário, se aproximou do réu e efetuou diversos disparos.
Imagens de segurança registraram o momento de tensão. Após atirar, Cristiano ainda partiu para agressões físicas com a arma, provocando pânico entre advogados, testemunhas e servidores presentes no local. Uma mulher chegou a tentar impedir a ação, mas não conseguiu contê-lo.
Apesar de os jurados entenderem que a tentativa de homicídio não se consumou por fatores externos à vontade do autor, a absolvição foi possível devido ao princípio constitucional que garante soberania às decisões do júri popular. Esse mecanismo permite que os jurados decidam com base em critérios que vão além da análise técnica, incluindo aspectos subjetivos.
Para garantir a segurança e evitar interferências, o processo foi retirado do município onde o crime ocorreu e transferido para a capital. Com a decisão, a Justiça determinou a soltura de Cristiano, caso não haja outros motivos que justifiquem sua prisão.
O desfecho reacende discussões sobre justiça pelas próprias mãos, emoção nos julgamentos e os limites das decisões do Tribunal do Júri. Especialistas avaliam que o caso pode influenciar debates futuros sobre o funcionamento do sistema e a atuação dos jurados em situações de forte apelo emocional.








