
O artesão e garçom José Augusto Mota Silva, de 32 anos, morreu na noite de sábado (14) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, após relatar fortes dores e não receber atendimento imediato. A família acusa a unidade de negligência, afirmando que ele chegou pedindo ajuda e acabou falecendo sentado, sem socorro.
“Ele chegou lá gritando de dor, pedindo atendimento, e ninguém atendeu. Ficou lá, sentado, até que morreu com o pescoço tombado”, desabafou o pai da vítima, José Adão da Silva, durante o velório realizado em Mogi Guaçu (SP), cidade natal de José Augusto.
Secretário anuncia demissões
O caso gerou revolta e comoção. O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, informou que todos os funcionários de plantão na UPA no momento da morte serão demitidos. “É inadmissível não perceberem a gravidade do caso”, declarou Soranz pelas redes sociais.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que José Augusto chegou lúcido e andando à unidade, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória pouco depois. Segundo o comunicado, ele foi levado à Sala Vermelha para atendimento, mas já estava desacordado e não resistiu.
Familiares e testemunhas denunciam descaso
Pacientes que estavam na UPA relataram que José Augusto passou pela triagem, mas permaneceu sentado, sem atendimento, até que desmaiou. Imagens do local mostram que ele não reagiu quando alguém se aproximou, sendo colocado em uma maca apenas após perder a consciência.
A irmã da vítima, Meriane Mota Silva, descreveu a situação como desumana: “Ele não merecia morrer daquele jeito, sentado. Ninguém merece morrer que nem bicho, daquela forma.”
José Augusto, que morava no Rio há 12 anos, já havia relatado dificuldades em conseguir atendimento médico para dores que enfrentava há meses. “Quando ele conseguia atendimento, davam dipirona e mandavam embora”, completou a irmã.
A necropsia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) deverá esclarecer a causa da morte. Uma sindicância foi aberta para investigar o caso.
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