
Em Planura, no Triângulo Mineiro, um homem homossexual e uma mulher transgênero foram resgatados de uma situação de trabalho análogo à escravidão, revelando um esquema cruel que explorava pessoas LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade. A denúncia foi feita pela Auditoria-Fiscal do Trabalho de Minas Gerais.
A história começou com falsas promessas de ajuda feitas por três empregadores que, através de anúncios no Facebook e Instagram, atraíam vítimas do Uruguai com a promessa de moradia, alimentação e oportunidades de estudo. No entanto, o que deveria ser acolhimento virou um longo período de abuso e sofrimento.
O homem resgatado passou quase dez anos submetido a trabalho doméstico sem registro e sem salário. Nesse tempo, acumulou cicatrizes físicas, foi alvo de abusos sexuais e psicológicos, e viveu sob chantagem emocional, com ameaças de divulgação de imagens íntimas feitas sem sua autorização. Em um ato de extrema violência simbólica, ele foi tatuado com as iniciais de dois dos patrões, como marca de “posse”.
A mulher transgênero também foi submetida a condições degradantes, trabalhando sem direitos e sofrendo agressões constantes. O terror vivido foi tão intenso que ela sofreu um acidente vascular cerebral durante o serviço, agravando ainda mais seu estado de saúde.
As autoridades investigam os empregadores envolvidos e o caso reforça o alerta sobre práticas criminosas que visam a exploração de pessoas em extrema vulnerabilidade, muitas vezes mascaradas de atos de caridade nas redes sociais.
