Home office pode aumentar isolamento e afetar saúde mental, aponta pesquisa

O trabalho em home office pode ampliar o isolamento social e provocar impactos negativos na saúde mental, principalmente entre pessoas que moram sozinhas. A conclusão é de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com dados de 568 mil pessoas.
O levantamento analisou informações coletadas entre 2011 e 2024, excluindo os anos de 2020 e 2021, período mais intenso da pandemia de covid-19. Os resultados associam o trabalho remoto a um aumento do tempo passado sozinho e à piora de diferentes indicadores de bem-estar psicológico.
Antes da pandemia, os trabalhadores permaneciam acordados e sozinhos por uma média de 5,4 horas nos dias úteis. Entre os profissionais em home office, esse período cresceu pouco mais de uma hora.
O impacto foi maior para quem vivia sozinho. Entre 2022 e 2024, essas pessoas passaram 45,9% dos dias de trabalho remoto completamente sozinhas e 31,1% sem qualquer contato social.
O sofrimento psicológico registrado nesse grupo foi aproximadamente duas vezes maior do que entre trabalhadores que moravam com familiares. A redução do convívio profissional também não foi compensada por mais encontros sociais fora do horário de trabalho.
A pesquisa ainda identificou que profissionais em home office apresentaram probabilidade 4,6% maior de procurar atendimento de saúde mental. Também houve aumento de 1,8% nas prescrições de medicamentos para depressão ou ansiedade.
Apesar dos resultados, o trabalho remoto continua sendo desejado por muitos profissionais. Uma pesquisa de 2024 mostrou que 24% consideravam ideal trabalhar integralmente de casa, e parte dos entrevistados aceitaria até uma redução salarial para manter essa possibilidade.
Os pesquisadores alertam que os efeitos sobre a saúde mental podem demorar a aparecer. O estudo também reconhece que os dados disponíveis não permitem avaliar completamente possíveis adaptações de longo prazo, como a criação de novas redes de convivência fora do ambiente profissional.



