
Preso por suspeita de ameaçar o influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, o hacker Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, negou ser o autor das ameaças, mas fez revelações surpreendentes à Polícia Civil de Pernambuco. Em depoimento prestado na Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, no Recife, Cayo confessou que invadia sistemas de órgãos públicos para vender dados e realizar fraudes diversas, lucrando mais de R$ 500 mil com essas atividades ilegais.
Segundo o relato obtido pelo g1, o hacker afirmou que fraudava plataformas como o Polícia Ágil (da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco), CadSUS (do governo federal) e CEREBRUM (da Secretaria da Segurança Pública do Ceará). Cayo detalhou ainda que comercializava serviços como:
- Emissão e revogação de mandados de prisão;
- Inclusão de dívidas no Serasa;
- Alterações de informações no SUS e na Receita Federal;
- Bloqueio de contas bancárias;
- Consulta de dados sigilosos por encomenda.
Entre as ações mais graves, está a manipulação do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP). Cayo confessou que acessava ilegalmente contas de magistrados, burlando o sistema de autenticação, e cobrava até R$ 15 mil por alvará de soltura falso — tendo emitido mais de 50. Também exigia valores extras, como R$ 3 mil, para retirar o nome do detento do sistema de busca.
Cayo revelou que usava o Telegram para vender bases de dados por até R$ 50 mil, e recebia pagamentos principalmente em criptomoedas, das quais cerca de R$ 500 mil já foram apreendidos pela polícia.
Durante a prisão em Olinda, outro jovem, Paulo Vinícius Oliveira Barbosa, foi detido em flagrante com um sistema da SDS aberto em seu computador. Embora Cayo tenha afirmado que não vendeu o acesso ao amigo, confirmou que Paulo realizava consultas de dados por R$ 20 cada, como uma renda adicional.
Ainda segundo o depoimento, os pagamentos pelas fraudes eram feitos em contas de terceiros. Caso alguém se recusasse a repassar o dinheiro, Cayo utilizava o Sisbajud — sistema oficial de bloqueio judicial — para travar os ativos financeiros da pessoa.
