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Gravataense é a única travesti do Nordeste que vai participar do reality show LGBTQIA+

Cassandra Bentivóglio, 41 anos, cozinheira, casada, da cidade de Sairé, porém mora em Gravatá há mais de 10 anos.

A dona do bordão “Flores de Laranjeira”, mostra seu cotidiano pelas suas redes sociais e tem uma história de vida incrível. Ela saiu da casa dos pais aos 13 anos e foi trabalhar em casas de famílias na cidade do Recife. Entre idas e voltas, veio morar em Gravatá entre 2009 e 2010. Portanto sua história de vida foi baseada em trabalho.

Ela costuma dizer que é “aquela travesti que sai de casa cedo, que tinha sonhos, que ia casar, que tinha planos para sua vida pessoal e profissional.”

Como excelente cozinheira que é, trabalhou na área da gastronomia em vários restaurantes de nomes em Gravatá, como o Mania Caseira, seu último trabalho. Todas essas experiências agregou em sua vida profissional, além de investir em cursos para se aperfeiçoar ainda mais, como de manipulações de alimentos, ceias natalinas e de molhos.

Cassandra sempre amou um reality show e sempre se inscrevia no Big Brother Brasil, até que descobriu o reality Cruzeiro Colorido através de um amigo que mandou um link de votação. “Um colega mandou o link de votação que se inscreveu neste reality e tinha a opção de se inscrever, mas eu estava tão focada no BBB que acabei depois de uns dias realizando a inscrição. Fiz o vídeo, respondi algumas perguntas sobre mim, com 15 dias chegou um e-mail de confirmação que minha inscrição tinha sido aprovada pela produção e junto a ela um link de divulgação que eu tinha que divulgar para as pessoas votarem em mim, mas sempre deixaram claro que a votação não seria a porta de entrada do reality. A finalidade era mostrar a questão do engajamento e o interesse pelo reality. Eu acredito que eu entrei por perfil, porque teve participantes que tiveram mais de 120 mil votos e na primeira votação eu só tive quase 7 mil votos, então acredito nisso”, contou.

Para o Cruzeiro Colorido, que acontece na Ilha de Sundara, em Angras dos Reis, no Rio de Janeiro, ela pretende levar a travesti nordestina, que é uma pessoa guerreira, que está no seu dia-a-dia trabalhando, lutando para ter meu papel na sociedade e agregar na mesma. “Quero levar esse meu empoderamento, a pessoa guerreira, nordestina, simples, que vive a linguagem do povo, que vive o dia-a-dia de pessoas normais, mas que não é nenhuma coitada. As pessoas acham que por sermos travesti somos para fazer palhaçada e baixaria, e não, quero levar minha garra, minha luta, minha história de vida, sou casada a 11 anos”, disse.

Sobre sua expectativa pós reality ela comenta que: “Tenho certeza que vai mudar muito a minha vida, a vida de toda minha família. Minha mãe precisa muito de mim, ela tem 71 anos, meu pai já tem quase 90 anos, então, quero muito proporcionar uma vida melhor a ela. Quero poder ajudar também há dois grupos que faço parte que são o Movimento Arco-Íris da Serra e a Casa Mais. Tudo isso vai agregar”.

O Cruzeiro Colorido é o primeiro reality show LGBTQIA+, apresentado por David Brazil e Nicole Bahls, inicia agora no dia 15 de agosto com transmissão nas redes sociais. 14 participantes concorrerão ao prêmio de 700 mil reais.

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