Um soldado da Polícia Militar matou a tiros a esposa grávida de dois meses na manhã desta terça-feira (20), no Cabo de Santo Agostinho. Após assassinar a esposa, o agente seguiu para o 19º Batalhão, onde trabalhava, no Recife, e atirou contra outros policiais. Um tenente morreu e uma major, um sargento e um cabo ficaram feridos, segundo informações ainda em atualização. Após o ataque, o policial militar se matou.
Com este caso, a Região Metropolitana do Recife superou a marca de 100 agentes vítimas de tiros e agora, contabiliza 104 agentes de segurança baleados nos últimos quatro anos, segundo dados da série histórica do Instituto Fogo Cruzado. 50 desses agentes morreram e 54 ficaram feridos. Há, em média, 25 agentes de segurança baleados por ano.
Para Cecília Olliveira, diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, esse caso é o reflexo da saúde mental dos agentes de segurança. “Os policiais militares são a categoria mais afetada pela violência armada e mais expostas aos traumas. Em quatro anos, representaram 68% dos agentes de segurança baleados. É preciso investir para garantir que estes casos não se tornem rotina”.
Dos 104 agentes baleados, 71 eram policiais militares: sendo 36 mortos e 35 feridos. Os policiais civis (14), bombeiros (5), guardas municipais (3), agentes penitenciários/socioeducativos (3), Aeronáutica (3), Exército (3) e Polícia Rodoviária Federal (1) também foram vítimas da violência neste período.
Cecília Olliveira acredita ainda que o dado chama atenção para a necessidade de produzirmos mais e melhor informação sobre a violência armada com foco em desenvolver políticas de segurança eficientes.
“O Fogo Cruzado monitora a violência armada no Grande Recife há quatro anos e por isso conseguimos produzir esse dado que é alarmante. Sem informação de qualidade não há política pública eficaz. O dado de mais de 100 agentes baleados assusta, mas precisamos ir além. Pernambuco carece de um plano de segurança que tenha foco em garantir a vida, sobretudo de seus agentes de segurança, como podemos ver”, avalia.
Entre os 50 agentes de segurança mortos, cinco estavam em serviço, 25 estavam de folga e 20 eram aposentados ou exonerados. Dos 54 feridos, 20 estavam em serviço, 28 estavam fora de serviço, cinco eram aposentados ou exonerados e um não teve o status de serviço revelado.
