
A Frente Popular de Pernambuco anunciou nesta quinta-feira (27) que levará à Justiça Eleitoral um conjunto de acusações contra o Governo de Pernambuco e a coligação Pernambuco no Coração, da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). A iniciativa tem como principal instrumento uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que será apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE).

Segundo a equipe jurídica da coligação de João Campos (PSB), a ação será estruturada em cinco frentes consideradas possíveis casos de abuso de poder político e econômico ou de condutas vedadas. Entre os episódios estão o suposto transporte de militantes em ônibus escolares para a convenção do PSD, realizada em 2 de agosto, e o alegado uso de aeronaves estaduais para deslocamentos da governadora a compromissos político-partidários.
Outro ponto que deverá integrar a ação envolve os gastos do Governo de Pernambuco com publicidade institucional. A Frente Popular afirma possuir documentos que apontariam aproximadamente R$ 5 milhões em despesas acima do limite que, segundo sua interpretação, seria permitido pela legislação eleitoral neste ano.
A coligação também pretende incluir o caso envolvendo Gustavo Monteiro, então secretário de Articulação Política e Social do Recife, e o irmão dele. A acusação sustenta que um veículo funcional utilizado por eles teria sido monitorado pela Polícia Civil no segundo semestre de 2025 sem autorização judicial ou inquérito instaurado.
O principal foco, entretanto, será a suspeita de funcionamento de uma estrutura digital destinada a atacar João Campos. A Frente Popular cita áudios divulgados pela imprensa atribuídos a Amisadai Andrade, servidor federal que esteve cedido ao Governo de Pernambuco. Segundo a acusação, ele teria relatado uma reunião com Raquel Lyra no Palácio do Campo das Princesas, em 2024, para tratar de ações coordenadas contra o então prefeito do Recife.
Registros oficiais citados pela coligação indicariam duas passagens de Amisadai pela sede do governo estadual, em julho e setembro daquele ano. Ele também foi sócio do Portal de Prefeitura, veículo que, conforme os dados apresentados pela Frente Popular, recebeu mais de R$ 500 mil em publicidade do governo. A acusação relaciona o portal à distribuição de conteúdos posteriormente replicados por uma rede superior a 300 perfis nas redes sociais.
Amisadai também ocupou cargo comissionado na Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco. A exoneração ocorreu na quarta-feira (26), após a repercussão das denúncias. Para Rafael Carneiro, advogado do PSB nacional e integrante da equipe jurídica da Frente Popular, a sequência de registros, movimentações financeiras e declarações atribuídas ao ex-servidor constitui um conjunto de indícios que precisa ser submetido à investigação.
Além do TRE-PE, a Frente Popular informou que pretende provocar o Ministério Público de Pernambuco, o Ministério Público Eleitoral, o Tribunal de Contas da União (TCU), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e a Controladoria-Geral da União (CGU). A coligação quer que os órgãos analisem, dentro de suas respectivas competências, eventuais irregularidades administrativas, eleitorais e relacionadas ao emprego de recursos públicos.
As acusações apresentadas pela Frente Popular não representam, por si, comprovação das irregularidades atribuídas ao governo ou à campanha de Raquel Lyra. Os fatos dependerão da análise dos órgãos acionados e, no caso da AIJE, de eventual processamento e julgamento pela Justiça Eleitoral. Se ilícitos eleitorais com gravidade suficiente forem comprovados no processo, poderão ser aplicadas as sanções previstas na legislação, conforme a responsabilidade atribuída a cada envolvido.






