Flávio Bolsonaro promete incluir Brasil em aliança de Trump contra o narcotráfico e endurecer combate às facções
Candidato do PL defende cooperação internacional, troca de informações sobre criminosos e classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou a intenção de integrar o Brasil ao Escudo das Américas, iniciativa de cooperação internacional na área de segurança liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proposta foi apresentada durante uma conversa com Abelardo de la Espriella, da Colômbia, divulgada nesta quarta-feira (7) nas redes sociais de Eduardo Bolsonaro.
Na gravação, Flávio defende uma atuação conjunta entre países latino-americanos para enfrentar organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas. O senador também promete adotar medidas mais rigorosas contra facções brasileiras caso seja eleito presidente no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Entre as prioridades mencionadas está o compartilhamento de informações de inteligência e a cooperação para localizar e prender criminosos que atuem fora de seus países de origem. Flávio afirmou que pretende estabelecer uma relação direta com autoridades colombianas para facilitar essas operações.
O candidato também reiterou a proposta de classificar organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A medida faz parte de sua agenda de segurança pública e está alinhada à posição defendida pelo governo Trump.
Embora o vídeo tenha sido publicado após o primeiro turno, realizado no domingo (4), uma declaração do senador sobre a expectativa de conquistar maioria no Congresso indica que a conversa pode ter ocorrido antes da votação.
Aliança liderada por Trump reúne países latino-americanos
O Escudo das Américas reúne governos que defendem o fortalecimento da cooperação regional contra o crime organizado. Em setembro, representantes de países participantes se encontraram com Donald Trump em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, e assinaram uma declaração conjunta sobre o enfrentamento de organizações criminosas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho.
Entre os países que participaram da iniciativa estão Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O Brasil não integrou a declaração apresentada naquele encontro.
A possibilidade de adesão brasileira já vinha sendo defendida por Eduardo Bolsonaro e outros aliados do candidato. Entretanto, a campanha de Flávio ressalta que manifestações de integrantes de seu grupo político não representam necessariamente decisões oficiais do senador.
Consultado sobre a eventual entrada do Brasil na aliança, o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que a decisão cabe ao governo brasileiro. Portanto, a participação do país permanece como uma proposta condicionada ao resultado da eleição presidencial.
A iniciativa também representa uma possível mudança na política externa brasileira, aproximando o país da estratégia de segurança regional defendida por Trump. O tema passa a integrar as propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro na disputa contra o presidente Lula.
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