
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderá enfrentar novos desdobramentos judiciais a partir de fevereiro de 2027, quando deixará o Senado Federal após o encerramento de seu mandato, previsto para 31 de janeiro. Derrotado na disputa presidencial deste domingo (25), o parlamentar não terá um novo mandato eletivo que lhe assegure foro por prerrogativa de função. Entretanto, isso não significa que todas as investigações contra ele serão automaticamente transferidas para a primeira instância da Justiça.

Atualmente, Flávio é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas e possíveis irregularidades financeiras. Um dos procedimentos está relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, enquanto outro examina a relação do senador com o advogado Willer Tomaz, investigado em operações financeiras associadas ao setor de apostas.
Banco Master e repasses milionários estão entre os principais alvos da PF
Uma das investigações de maior repercussão envolve o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A Polícia Federal apura negociações para o financiamento da produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que teriam movimentado milhões de dólares. Documentos da investigação apontam que Flávio participou diretamente de tratativas com o empresário, incluindo reuniões, mensagens e cobranças relacionadas aos pagamentos.
Os investigadores identificaram negociações estimadas em aproximadamente US$ 24 milhões, dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente repassados. A apuração busca esclarecer a origem e o destino dos recursos, a possível utilização de estruturas financeiras internacionais e a existência de eventuais contrapartidas políticas. O procedimento tramita no STF sob relatoria do ministro André Mendonça. Flávio nega irregularidades e sustenta que o financiamento do filme tinha caráter privado.
Relação com advogado investigado também está na mira da Justiça
Outro inquérito, encaminhado ao Supremo em outubro, examina a proximidade entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. A investigação surgiu durante a análise de informações relacionadas a plataformas de pagamentos digitais e empresas do mercado de apostas. Segundo a Polícia Federal, foram identificados registros de encontros, viagens e possíveis vínculos financeiros entre o parlamentar e o advogado.
Entre os elementos examinados estão referências ao nome de Flávio em uma conta vinculada à empresa Alcazar Holding, associada a Tomaz, além de despesas com viagens e movimentações financeiras consideradas relevantes para a investigação. O procedimento foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes e busca esclarecer se houve participação do senador em eventuais operações ilícitas. A existência desses registros, isoladamente, não comprova a prática de crimes.
Compra de mansão e acusação de calúnia também geram questionamentos
Além dos dois inquéritos, Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos relacionados ao financiamento de uma mansão avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões, adquirida com recursos de uma operação de crédito do Banco de Brasília (BRB). As suspeitas envolvem possíveis condições diferenciadas na concessão do empréstimo. O senador e o banco defendem a regularidade da operação.
Outro procedimento envolve uma suspeita de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), relacionada à divulgação de conteúdo nas redes sociais. A Polícia Federal concluiu sua análise e o caso aguarda os próximos encaminhamentos judiciais.
O que acontecerá com as investigações após janeiro de 2027?
Com o fim do mandato, Flávio deixará de contar com a prerrogativa parlamentar decorrente do cargo de senador. Contudo, conforme o entendimento do STF sobre foro privilegiado, investigações relacionadas a crimes supostamente praticados durante o exercício do mandato e em razão das funções podem permanecer na Corte mesmo depois da saída do cargo.
Nos demais casos, poderá ocorrer o encaminhamento dos procedimentos à Justiça de primeira instância, dependendo da natureza dos fatos e da definição de competência. A mudança não representa condenação, tampouco significa que as investigações serão necessariamente aceleradas. Eventuais denúncias dependerão da análise das provas pelo Ministério Público e de decisão judicial.
Flávio Bolsonaro também já enfrentou uma investigação sobre o suposto esquema de rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O procedimento foi encerrado após decisões judiciais que anularam provas utilizadas pela acusação. Dessa forma, o caso não pode ser apresentado como uma ação penal atualmente em andamento.
A partir de fevereiro de 2027, o futuro jurídico do senador dependerá dos desdobramentos dos inquéritos, das decisões do Supremo Tribunal Federal e da atuação dos órgãos de investigação. Até o momento, as suspeitas mencionadas não equivalem a condenações, e Flávio Bolsonaro mantém o direito à presunção de inocência e à ampla defesa.
Palavras-chave: Flávio Bolsonaro, Flávio Bolsonaro investigações, Flávio Bolsonaro 2027, foro privilegiado, Banco Master, Daniel Vorcaro, Dark Horse, Polícia Federal, STF, lavagem de dinheiro, corrupção, Willer Tomaz, eleições 2026.






