
Publicar fotos e vídeos de treinos virou parte da rotina de milhões de usuários nas redes sociais, mas esse comportamento aparentemente inofensivo vem sendo analisado com mais atenção por pesquisadores da área da psicologia. Estudos recentes indicam que a prática constante de expor a rotina fitness pode estar associada a necessidades emocionais mais profundas, como a busca por validação social e reforço da autoestima.
Pesquisas conduzidas pela Universidade de Brunel, no Reino Unido, analisaram centenas de perfis em redes sociais e identificaram que pessoas que compartilham com frequência seus treinos tendem a apresentar níveis mais elevados de traços narcisistas. O estudo foi liderado pela psicóloga Tara Marshall, especialista em comportamento social no ambiente digital.
De acordo com os pesquisadores, as postagens geralmente não se limitam ao exercício em si, mas destacam elementos como disciplina, força física, constância e superação. Dentro da cultura fitness, esses atributos funcionam como símbolos de status e reconhecimento, reforçados por curtidas, comentários e compartilhamentos.
O levantamento aponta que, para parte dos usuários, a exposição funciona como incentivo pessoal e ferramenta de motivação. No entanto, em outros casos, pode representar uma tentativa de lidar com inseguranças, comparações constantes e dependência da aprovação alheia. Os especialistas ressaltam que o simples ato de postar treinos não indica, automaticamente, um problema psicológico, mas a repetição e a intenção por trás das publicações merecem atenção.
Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel do sistema de recompensas das redes sociais. As interações digitais ativam áreas do cérebro ligadas ao prazer, criando um ciclo em que o usuário se sente estimulado a postar cada vez mais para obter a mesma sensação de reconhecimento. Com isso, a linha entre compartilhar uma conquista pessoal e depender da validação externa pode se tornar tênue.
Para os pesquisadores, o comportamento precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo, que envolve autoestima, relação com o próprio corpo e a forma como cada indivíduo constrói sua identidade no ambiente virtual. Em muitos casos, o treino deixa de ser apenas uma prática de saúde e passa a se transformar em uma vitrine social.
O estudo conclui que compartilhar resultados e rotinas esportivas é algo comum e saudável para grande parte das pessoas. Ainda assim, a frequência exagerada e a expectativa constante por engajamento podem indicar uma relação desequilibrada com a própria imagem. Especialistas defendem que o debate ajude a promover um uso mais consciente das redes sociais, sem transformar o cuidado com o corpo em uma obrigação de performance pública.
