
A continuidade do uso da aspirina após um infarto agudo do miocárdio é essencial para reduzir riscos de novos eventos graves. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa inédita realizada com participação do Hospital Dom Helder Câmara, um dos centros brasileiros selecionados para integrar o estudo NEO-MINDSET, coordenado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o Ministério da Saúde.
A investigação analisou o impacto da suspensão precoce da aspirina em pacientes que passaram por angioplastia com stent, técnica comum após infartos. Diferente do que algumas abordagens recentes vinham sugerindo, o estudo comprovou que interromper o uso da aspirina imediatamente após o procedimento não é seguro. Quando mantida em combinação com outro antiplaquetário, a medicação continua sendo eficaz na prevenção de complicações como reinfarto, AVC ou necessidade de nova intervenção.
O cardiologista Dr. Flávio Roberto, que atua no Hospital Dom Helder, teve participação direta no projeto e destacou a importância dos achados. Segundo ele, os resultados têm potencial para modificar condutas médicas em escala global, tornando o tratamento pós-infarto mais seguro e embasado cientificamente.
Apresentado em uma das sessões principais do Congresso Europeu de Cardiologia, em Madri, que reuniu cerca de 30 mil especialistas, o estudo também foi publicado no prestigiado New England Journal of Medicine, reforçando sua relevância internacional.
A pesquisa monitorou mais de 3.400 pacientes em 50 hospitais do país, com apoio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). O envolvimento direto do Hospital Dom Helder reforça o protagonismo da unidade pernambucana em pesquisas clínicas de impacto, especialmente no campo da cardiologia.
Com essa nova evidência, médicos em todo o mundo poderão tomar decisões mais seguras sobre o uso prolongado da aspirina, equilibrando os riscos de sangramento com a eficácia na proteção cardiovascular.
