O dólar encerrou o pregão desta quarta-feira (29/1) com uma leve queda de 0,06%, cotado a R$ 5,86. Apesar da variação modesta, que indica estabilidade da moeda, essa foi a oitava queda consecutiva da divisa, marcando o menor patamar desde novembro.
Ao longo do dia, a moeda americana chegou a esboçar uma alta de 0,15%, atingindo R$ 5,87, logo após o anúncio do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de manter as taxas de juros no intervalo entre 4,25% e 4,50%. No entanto, o movimento de alta não se sustentou, e o dólar retomou a trajetória de queda, consolidando mais um dia de recuo.
Contexto e análise
A decisão do Fed de manter os juros estáveis reflete o cenário de cautela adotado pelo banco central americano diante dos sinais de desaceleração da inflação e do crescimento econômico nos Estados Unidos. A manutenção das taxas, aliada à expectativa de uma pausa nos aumentos de juros no curto prazo, contribuiu para um ambiente de menor pressão sobre o dólar no mercado internacional.
No Brasil, a moeda americana acumula queda de 0,89% na semana e de 5,08% no mês, refletindo uma combinação de fatores, como a melhora do cenário externo, a atratividade dos ativos brasileiros e a confiança dos investidores na política econômica doméstica. A taxa Selic em 13,25% ao ano, uma das mais altas do mundo, continua a atrair fluxos de capital estrangeiro, fortalecendo o real e contribuindo para a desvalorização do dólar.
Perspectivas para o mercado
A trajetória de queda do dólar nos últimos dias sugere um cenário de maior estabilidade para a moeda brasileira, pelo menos no curto prazo. No entanto, analistas alertam que o cenário global ainda é marcado por incertezas, como a evolução da inflação nos Estados Unidos, os rumos da guerra comercial entre China e EUA e os impactos da desaceleração econômica global.
Para os próximos dias, a atenção do mercado estará voltada para os indicadores econômicos dos Estados Unidos, especialmente os dados de inflação e emprego, que podem influenciar as decisões futuras do Fed. Além disso, o cenário político e fiscal no Brasil também será monitorado de perto, já que eventuais turbulências podem impactar a confiança dos investidores e a trajetória do dólar.
Enquanto isso, a queda acumulada do dólar nos últimos meses traz alívio para setores da economia brasileira que dependem de importações, como indústria e comércio, além de reduzir a pressão sobre os preços internos. No entanto, para os exportadores, a desvalorização da moeda americana pode representar um desafio, já que reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Em resumo, o dólar em queda reflete um momento de relativa calma no mercado, mas a volatilidade e as incertezas globais continuam a exigir atenção e cautela de investidores e autoridades econômicas.
