
O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou neste domingo (25), no Recife, que não pretende se apresentar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora reconheça afinidades em parte da agenda política, Zema deixou claro que não vê lideranças como figuras incontestáveis e fez questão de marcar distanciamento em temas sensíveis.
Durante entrevista coletiva realizada durante o Encontro Estadual do Partido Novo, o governador afirmou que a direita segue com espaço para diferentes candidaturas e negou que o campo esteja fragmentado. Ovacionado por apoiadores, ele foi tratado como um dos principais nomes da sigla para a disputa presidencial.
Zema comentou a decisão de Bolsonaro de apoiar a pré-candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro, pelo Partido Liberal. Para o governador, a escolha faz parte do jogo democrático e está dentro das regras do sistema político. Segundo ele, qualquer liderança tem o direito de apoiar nomes que considere preparados para disputar o cargo.
Questionado sobre o legado do ex-presidente e se pretende defendê-lo durante a campanha, Zema adotou um tom cauteloso e crítico. Disse que a política não se resume a posições absolutas e que concorda com Bolsonaro em alguns pontos, mas diverge em outros. Para ilustrar, usou uma frase que chamou atenção: afirmou que não atribui caráter divino a lideranças políticas e que todos estão sujeitos a erros.
Ao citar a pandemia da Covid-19, o governador destacou diferenças claras de postura. Lembrou que, em Minas Gerais, adotou medidas restritivas em determinadas regiões, defendeu a vacinação e afirmou confiar nas orientações da área técnica da saúde e da ciência, deixando implícito o contraste com a condução adotada pelo então governo federal.
A passagem de Romeu Zema pelo Recife reforça sua movimentação nacional como pré-candidato e sinaliza a estratégia de se apresentar como um nome da direita com discurso próprio, buscando dialogar com eleitores conservadores sem assumir integralmente o legado do bolsonarismo.
