
A ausência de um Instituto Médico Legal (IML) em Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, escancarou uma situação de descaso nesta sexta-feira (25), quando o corpo de Severina Moreira da Silva Barbosa, conhecida como “Nininha”, de 40 anos, ficou exposto em uma rua movimentada por mais de cinco horas. Vítima de um acidente de trânsito fatal ocorrido por volta das 5h da manhã, Severina aguardou até cerca de 10h30 para ser recolhida por uma equipe de perícia deslocada de outra cidade. A demora revoltou moradores, que criticaram a falta de infraestrutura e expuseram o impacto que a ausência do IML causa na cidade e na região circunvizinha.
Hoje, corpos de vítimas de acidentes e homicídios precisam ser levados para Caruaru, cidade distante cerca de 284 quilômetros de Serra Talhada. Essa necessidade de transporte para outra cidade impacta diretamente na agilidade das investigações e na dignidade do tratamento aos corpos, que acabam expostos por horas nas vias públicas, à espera de remoção. “É inacreditável que uma cidade do tamanho de Serra Talhada ainda dependa de Caruaru para algo tão básico. Além do sofrimento de ver um ente querido nesta situação, é um desrespeito com toda a população,” lamentou Ronaldo Gomes, motorista e morador que presenciou a cena ao levar suas filhas para a escola.
Diante do sol intenso, uma funerária local buscou amenizar a situação, colocando um toldo sobre o corpo até a chegada da perícia. O improviso, no entanto, não supriu a revolta da população, que há anos reivindica a instalação de um IML na cidade.
O problema de estrutura não afeta apenas Serra Talhada, mas também cidades menores no entorno que, diante de acidentes e crimes, também ficam à mercê da demora nas perícias e remoções. A região possui uma população flutuante que ultrapassa os 100 mil habitantes e demanda por atendimento forense eficiente.
A instalação de um IML em Serra Talhada é uma reivindicação antiga de autoridades e moradores, que destacam a necessidade de garantir dignidade às vítimas e agilidade no processo investigativo. A situação de Severina Moreira torna-se mais um episódio a evidenciar a urgência de mudanças, que, segundo os moradores, não podem mais ser ignoradas.
