
As corridas de rua ganharam as avenidas, parques e até as vitrines. Com crescimento expressivo em todo o país, a modalidade deixou de ser uma prática solitária para se tornar um fenômeno coletivo que movimenta tanto a saúde quanto a economia. Em 2024, o número de provas oficiais cresceu 29% em comparação ao ano anterior, e o interesse pelo esporte atrai cada vez mais pessoas — dos iniciantes aos corredores de elite.
O fenômeno vai além da prática esportiva. O mercado observou uma alta significativa na procura por produtos voltados para corrida, principalmente tênis, roupas técnicas, óculos, relógios inteligentes e suplementos alimentares. Itens como shorts, camisetas dry fit e acessórios de hidratação passaram a compor a rotina de milhares de brasileiros que decidiram “colocar o pé na rua”.
Segundo levantamento recente, a busca por “tênis de corrida” na internet aumentou 170% nos últimos cinco anos. Marcas como Nike, Adidas, ASICS e On Running vêm apostando em modelos cada vez mais tecnológicos e personalizados, com preços que variam de R$ 239 a quase R$ 4 mil. Os lançamentos prometem desde amortecimento avançado até melhoria na performance em provas longas, como meias maratonas e maratonas completas.
Além dos calçados, o vestuário também seguiu a tendência. As blusas com tecidos leves e respiráveis, shorts com bolsos funcionais, óculos com proteção UV e bonés que absorvem o suor tornaram-se itens essenciais para quem leva a corrida a sério. Ao lado disso, cresce a busca por suplementos específicos para resistência, recuperação muscular e hidratação.
Outro fator que impulsionou esse cenário foi o fortalecimento das comunidades de corrida. Os chamados “running crews” se multiplicaram, especialmente nas grandes cidades, e passaram a promover encontros, treinos coletivos e desafios mensais, motivando tanto novos corredores quanto atletas experientes. O aspecto social da corrida ganhou força e transformou a atividade em estilo de vida.
O perfil do corredor também mudou. A participação feminina em eventos oficiais já se equipara à masculina em diversas provas, enquanto a faixa etária dos 20 aos 35 anos concentra boa parte dos novos adeptos. Para muitos, a corrida representa mais do que exercício físico — é uma forma de autocuidado, superação e conexão com outros praticantes.
Com a popularização da prática, as provas de rua se tornaram palcos não apenas de performance, mas também de marketing. Marcas esportivas, de nutrição e até bancos e operadoras de telefonia investem pesado em patrocínio de eventos, distribuição de brindes e ativações em largadas e chegadas. A corrida virou vitrine e oportunidade de negócios.
Apesar do crescimento, especialistas alertam para a importância de planejamento e orientação. O uso de equipamentos adequados, aliando conforto, segurança e tipo de pisada, é essencial para evitar lesões e garantir bom desempenho. O mais importante, afirmam treinadores, continua sendo a constância nos treinos e a adoção de hábitos saudáveis.
De forma espontânea e acelerada, o Brasil corre em direção a uma cultura mais ativa. E o asfalto, antes reservado a veículos, agora pertence também às passadas firmes de milhares de brasileiros em busca de saúde, bem-estar e novos desafios.
