
Um ato de desagravo público chamou atenção de quem passava em frente ao Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), em Santo Amaro, na terça-feira (19). A mobilização, para retratação de uma enfermeira que foi desrespeitada no exercício da profissão, foi realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) e, mesmo fora da unidade de saúde, contou com a presença de outros profissionais da categoria.
Na última semana, a Direção do Procape negou a realização da solenidade nas dependências do hospital, que é público. O Coren, portanto, decidiu realizar o ato na rua, em uma praça localizada em frente à unidade de saúde. O desagravo em questão foi aprovado porque, por mais de uma vez, uma médica do referido hospital fez acusações infundadas e cometeu assédio moral contra a equipe de Enfermagem.
Antes de registrar as queixas no Coren-PE, a enfermeira Mary Carmo, formada há 30 anos, já tinha procurado a Direção do Procape, mas não foi acolhida. “Senti a segurança de que eu estava certa e que eu tinha um órgão para me dar o apoio necessário, já que eu não tive dentro da própria instituição. Ninguém vai se sentir confortável em um ambiente onde é acusado de fazer parte de uma quadrilha, uma gang, que recebia propina pra falsificar atestado, vender receita, como essa médica falava contra a gente”, contou a enfermeira que trabalha no Procape há 16 anos.
O presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco, Gilmar Júnior, fez questão de participar do ato e destacou o papel dos órgãos que defendem os profissionais, como o Conselho e os sindicatos. “O Coren-PE está aqui hoje na rua, sob o sol, mas podia ser em qualquer outro lugar, em qualquer situação, para defender qualquer profissional”, disse Gilmar. “Mary é um exemplo para a enfermagem. A coragem que ela teve, com o apoio de quem está do lado dela, nos enche de força para lutar contra qualquer assediador. E, quando um colega é caluniado, todos nós somos assediados e maltratados. Por isso, hoje, nós somos Mary, e temos orgulho disso”, completou o presidente.
Representantes do Sindicato dos Enfermeiros no Estado de Pernambuco (Seepe) e do Sindicato dos Servidores da Universidade de Pernambuco também participaram do desagravo público.
DESAGRAVO PÚBLICO – É uma manifestação do Conselho Regional em favor de profissionais de enfermagem que tenham sofrido qualquer tipo de ofensa – moral ou verbalmente – durante o exercício da profissão. A solicitação de desagravo não pode ser anônima, uma vez que a intenção é fazer uma manifestação pública a favor do profissional ofendido.
O desagravo público não se aplica quando o ofensor e ofendido forem profissionais da enfermagem, caso em que o Conselho Regional avaliará a necessidade de instauração de procedimento ético, a partir de denúncia.
