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Eleições 2026

Coligação de Raquel Lyra aciona TRE-PE e pede investigação contra João Campos e rede de perfis nas redes sociais

AIJE solicita apuração de possíveis abusos e pede acesso a dados financeiros para investigar eventuais conexões entre administradores de páginas, empresas, Prefeitura do Recife e campanha do PSB

A Coligação Pernambuco de Coração, encabeçada pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) envolvendo João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco, seu vice, Carlos Costa (Republicanos), e responsáveis por diferentes perfis nas redes sociais. A iniciativa busca apurar alegações de abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Entre os principais pontos apresentados está o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Eduardo da Silva Souza, associado na ação aos perfis “@raquel_bolada”, no Instagram, e “@eduardoninoof”, no TikTok, e de Marcelo Augusto Serra Diniz, ligado ao perfil “@marcelodinizpe”. A medida também é solicitada em relação às empresas MD Inteligência Digital Ltda. e U Porto Agência de Publicidade Ltda.

A coligação pede que a análise financeira seja delimitada ao período de 1º de junho a 4 de outubro de 2026 e às operações envolvendo determinadas contrapartes. Entre elas são citados o Município do Recife, o Diretório Estadual do PSB, a campanha de João Campos e Carlos Costa, Pernambuco Conservadora Ltda., Avesso Comunicação e os próprios investigados. Segundo a petição, a finalidade seria identificar eventuais pagamentos, destinatários, valores, datas e justificativas declaradas para as transações.

Outra frente da ação envolve diretamente a Prefeitura do Recife. A coligação solicita que a administração municipal apresente, no prazo de dez dias, o contrato firmado com a Pernambuco Conservadora Ltda., além da relação dos trabalhadores disponibilizados pela empresa à Secretaria de Articulação Política e Social. A medida busca esclarecer eventual vínculo de Eduardo da Silva Souza, também conhecido como Eduardo Nino, incluindo lotação, jornada de trabalho e registros de frequência.

A petição também pede documentos relacionados à eventual contratação de publicidade no Blog Marcelo Diniz/MD Inteligência Digital Ltda., como plano de mídia, pedidos de inserção, notas fiscais, ordens de pagamento e comprovantes de veiculação. Entre as diligências requeridas estão ainda informações sobre faixas de endereços IP utilizadas pelas redes de dados da Prefeitura do Recife, inclusive acessos remotos.

Segundo a argumentação apresentada pela Coligação Pernambuco de Coração, haveria elementos que justificariam investigar possíveis conexões técnicas, administrativas, operacionais e financeiras entre diferentes páginas e seus responsáveis. Além de “Raquel Bolada”, são mencionados na ação perfis como “@jefinhodeolinda”, “@rodrigocastelli.pe”, “@esquerdape”, “@paulistaresiste”, “@pernambuco40_joaocampos”, “@jatobaordinario”, “@brunocribeiro_ofc” e “@tocomjoaobuique”.

Outro elemento apresentado pela coligação é o fato de responsáveis por esses perfis terem sido representados, em processos anteriores, pelo advogado Celso Rocha Barbosa Souza. A petição utiliza essa circunstância como um dos pontos que, na avaliação dos autores da AIJE, justificariam aprofundar a investigação sobre possíveis relações entre os envolvidos.

A ação também menciona informações sobre o escritório Rocha & Pinto Advogados Associados e um contrato de R$ 180 mil firmado com a Prefeitura de Garanhuns. Conforme relatado na petição, decisão judicial de 11 de setembro suspendeu o contrato, bloqueou pagamentos e determinou sua publicação integral nos sistemas de transparência. Esse episódio é apresentado pela coligação como parte do contexto das conexões que pretende ver investigadas.

No campo eleitoral, a principal questão levantada é se os perfis teriam atuado de maneira coordenada para produzir e distribuir comunicação política destinada a prejudicar a candidatura de Raquel Lyra e favorecer João Campos. A coligação solicita ainda que eventuais determinações judiciais alcancem plataformas como Facebook e TikTok e que sejam aproveitados documentos e registros obtidos em procedimentos eleitorais anteriores.

Os pedidos apresentados na AIJE ainda dependem da apreciação da Justiça Eleitoral. As alegações descritas na ação representam a versão da coligação autora e, por si só, não comprovam a existência de coordenação entre os perfis, financiamento irregular, abuso de poder ou responsabilidade de João Campos, Carlos Costa e dos demais citados. Caberá ao TRE-PE decidir sobre as diligências requeridas e, posteriormente, analisar as provas e manifestações das partes.

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