Chacina de Poção: mulher é condenada a 142 anos de prisão por mandar matar idosa e conselheiros tutelares
Terminou na madrugada deste sábado (7) o julgamento que condenou Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha a 142 anos de prisão por encomendar uma chacina ocorrida em Poção, no Sertão de Pernambuco. O crime, registrado em 2015, resultou na morte de três conselheiros tutelares e de uma idosa, em meio a uma disputa familiar pela […]
Terminou na madrugada deste sábado (7) o julgamento que condenou Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha a 142 anos de prisão por encomendar uma chacina ocorrida em Poção, no Sertão de Pernambuco. O crime, registrado em 2015, resultou na morte de três conselheiros tutelares e de uma idosa, em meio a uma disputa familiar pela guarda de uma criança.
Bernadete era avó paterna da menina e foi apontada como a mandante do ataque. Segundo a acusação, ela articulou o assassinato após perder a guarda da neta. Na emboscada, a criança, então com três anos, também foi atingida por disparos, mas sobreviveu.
O julgamento foi realizado na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, no Recife, após desaforamento do processo. A mudança de comarca foi determinada para garantir a imparcialidade dos jurados, já que o crime causou forte comoção em Poção. O Conselho de Sentença foi formado por seis mulheres e um homem.
Além de Bernadete, também foi julgado José Vicente Pereira Cardoso da Silva, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde, apontado como um dos articuladores da chacina. A pena dele foi reduzida pela metade por ter mais de 70 anos. Ainda durante a sessão, a defesa apresentou recurso contra a decisão do júri.
As vítimas do crime foram os conselheiros tutelares José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, além de Ana Rita Venâncio, avó materna da criança. Todos foram mortos a tiros durante a emboscada.
Ao longo dos quatro dias de julgamento, o júri ouviu o delegado responsável pela investigação, testemunhas de acusação e defesa, além dos réus. Os debates finais, com réplica e tréplica, ocorreram na sexta-feira (6), antecedendo a leitura da sentença.
Ao todo, sete pessoas foram denunciadas pela chacina. Em dezembro de 2025, três acusados já haviam sido condenados por participação direta no crime. Égon Augusto Nunes de Oliveira e Orivaldo Godê de Oliveira receberam penas de 101 anos e quatro meses de prisão cada um, enquanto Ednaldo Afonso da Silva foi condenado a 12 anos e seis meses por homicídio simples. Em 2024, Wellington Silvestre dos Santos, preso no Maranhão, também foi condenado a 74 anos de reclusão.
O julgamento de Leandro José da Silva, que seria analisado junto com Bernadete e José Vicente, foi adiado a pedido da defesa. A Justiça ainda não definiu uma nova data para o júri.
Considerada uma das maiores tragédias já registradas no Sertão pernambucano, a chacina de Poção segue como um marco de violência extrema envolvendo disputa familiar e atingindo diretamente agentes públicos responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes.