
O Dicionário Oxford anunciou nesta segunda-feira (2) que a expressão “brain rot” (traduzida como “cérebro podre” ou “podridão cerebral”) foi escolhida como a palavra do ano. O termo, que remonta ao século XIX, ganhou novos significados em 2024 ao descrever o impacto negativo do consumo excessivo de conteúdos triviais e pouco desafiadores, especialmente nas redes sociais.
Com mais de 130 mil buscas registradas ao longo do ano e um crescimento de 230% em relação a 2023, o termo tornou-se símbolo de uma discussão global sobre os efeitos da digitalização na capacidade intelectual das pessoas.
Embora tenha ganhado popularidade recentemente, “brain rot” não é uma novidade. A expressão foi usada pela primeira vez em 1854 por Henry David Thoreau em seu clássico “Walden”. Na obra, o autor critica a falta de apreço por ideias complexas e compara a degradação intelectual ao apodrecimento de batatas durante a crise agrícola na Inglaterra.
Atualmente, a expressão foi ressignificada para descrever a deterioração cognitiva associada ao consumo excessivo de conteúdos repetitivos, irrelevantes ou de baixa qualidade, amplamente difundidos por redes sociais como TikTok, Instagram e YouTube.
Alerta de saúde pública
O fenômeno ganhou tanta relevância que um órgão de saúde dos Estados Unidos emitiu orientações para identificar sinais de “brain rot”. Especialistas destacam sintomas como dificuldade de concentração, perda de interesse em atividades intelectualmente estimulantes e excesso de tempo gasto em plataformas digitais.
A escolha do Dicionário Oxford também reflete uma tendência maior: a preocupação com o impacto da tecnologia na saúde mental e no comportamento das pessoas. O aumento no uso de dispositivos eletrônicos durante a pandemia e o consumo desenfreado de conteúdo visual instantâneo são apontados como catalisadores do problema.
Debate em andamento
A eleição de “brain rot” como a palavra do ano não apenas marca uma tendência linguística, mas também acende um debate urgente sobre a qualidade da informação na era digital. Estudiosos alertam para a necessidade de equilíbrio no consumo de conteúdos e defendem o incentivo a atividades intelectualmente enriquecedoras, como leitura, artes e debates reflexivos.
Enquanto isso, a expressão segue crescendo como uma crítica cultural e um alerta coletivo, mostrando que até as palavras podem ser ferramentas de conscientização em um mundo dominado pelo digital.
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