
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) comunicou neste domingo (14) sua renúncia ao mandato parlamentar. A decisão foi enviada à Câmara dos Deputados e ocorre dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a perda imediata do cargo, devido à condenação definitiva por envolvimento em invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Zambelli está na Itália desde julho, onde permanece detida após fugir do Brasil. Em maio, o STF a condenou a dez anos de prisão e à perda do mandato por participação no esquema liderado pelo hacker Walter Delgatti Neto. A decisão transitou em julgado no mês seguinte, encerrando qualquer possibilidade de recurso.
Apesar da determinação do STF, a Câmara realizou uma votação no dia 11 de dezembro e não alcançou o número necessário de votos para cassar o mandato — foram 227 favoráveis à cassação e 170 contrários, abaixo dos 257 exigidos. No entanto, no dia seguinte, o STF anulou a votação e reafirmou a perda automática do mandato, conforme previsto na Constituição.
A renúncia, anunciada antes do cumprimento formal da decisão do Supremo, é vista por aliados como uma tentativa de preservar os direitos políticos da ex-parlamentar. Segundo o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a medida visa ampliar possibilidades de defesa e minimizar os impactos jurídicos das condenações.
Além do caso envolvendo o CNJ, Zambelli também foi condenada em agosto deste ano a mais cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, após perseguir um homem armada, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. O suplente Adilson Barroso (PL-SP) deve assumir a vaga na Câmara.
