Candidato com nanismo é eliminado de concurso para delegado após não atingir salto exigido no teste físico

Um candidato aprovado em várias etapas de um concurso público para delegado acabou eliminado após não conseguir atingir a distância mínima exigida em uma prova física. O caso gerou forte debate sobre inclusão e adaptação de testes para pessoas com deficiência.
A situação ocorreu em Minas Gerais e envolve Matheus Menezes Matos, de 25 anos. Ele participava do concurso da Polícia Civil para o cargo de delegado substituto e havia conseguido avançar nas etapas intelectuais e médicas do processo seletivo.
O candidato foi aprovado nas provas objetiva, dissertativa e oral, além de passar pelos exames biomédicos. No entanto, acabou reprovado durante o Teste de Aptidão Física (TAF).
Segundo informações divulgadas por entidades que acompanham a questão, Matheus precisaria alcançar ao menos 1,65 metro na prova de impulsão horizontal, exercício que avalia a capacidade de salto em distância. Por ter nanismo, a exigência foi considerada incompatível com sua condição física.
O Instituto Nacional de Nanismo se manifestou sobre o caso e afirmou que, em concursos públicos que contam com vagas destinadas a pessoas com deficiência, as avaliações físicas deveriam considerar critérios individualizados e adaptações compatíveis com as limitações apresentadas pelos candidatos.
Em nota oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o concurso para Delegado de Polícia Substituto, referente ao edital publicado em 2024, oferece 54 vagas, sendo parte delas reservada para candidatos com deficiência que comprovem a condição conforme prevê a legislação.
A corporação explicou que os testes físicos fazem parte dos requisitos obrigatórios para o cargo. Segundo a instituição, a carreira policial exige preparo físico para situações como perseguição de suspeitos, superação de obstáculos em ambientes de difícil acesso e atuação em operações que demandam agilidade e resistência.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a exigência de aptidão física já está prevista nas normas que regulamentam a carreira policial e, por isso, não representaria mudança ou novidade no edital do concurso.
Após a repercussão do caso, a defesa de Matheus informou que ele e familiares passaram a sofrer ataques e comentários ofensivos nas redes sociais. Os advogados ressaltaram que o debate público sobre o tema é legítimo, mas alertaram para a necessidade de respeito, lembrando que manifestações discriminatórias podem configurar violação de direitos.
O episódio reacendeu discussões sobre inclusão em concursos públicos e sobre como devem ser aplicadas as regras de avaliação física para candidatos com deficiência. O caso pode ainda gerar desdobramentos jurídicos nos próximos meses.



