Caminhada das Águas de Oxalá reafirma luta por igualdade racial e combate à intolerância em Limoeiro
Neste domingo, 18 de janeiro, o município de Limoeiro, no Agreste Setentrional de Pernambuco, será novamente palco de um dos mais significativos atos públicos em defesa da igualdade racial, da liberdade religiosa e da cidadania plena: a Caminhada das Águas de Oxalá. A concentração está marcada para às 15h, na Academia da Saúde – Juá […]
Neste domingo, 18 de janeiro, o município de Limoeiro, no Agreste Setentrional de Pernambuco, será novamente palco de um dos mais significativos atos públicos em defesa da igualdade racial, da liberdade religiosa e da cidadania plena: a Caminhada das Águas de Oxalá. A concentração está marcada para às 15h, na Academia da Saúde – Juá (PE-050), reunindo povos de terreiro, movimentos sociais, educadores, pesquisadores e a sociedade civil em geral.
Idealizada e coordenada pelo Pai Àlábíyí, babalorixá e referência no enfrentamento ao racismo religioso na região, a Caminhada surgiu em 2009, como resposta a um episódio de intolerância religiosa no bairro da Pirauíra. Desde então, a ação se consolidou como o primeiro movimento de Promoção de Igualdade Racial do município e segue como referência no interior pernambucano, articulando religiosidade, cultura e incidência política.
Com o tema de 2026, “Ubuntu – irmandade e respeito como fundamentos básicos de humanidade”, a Caminhada propõe uma reflexão profunda sobre a convivência social e o papel coletivo na construção de uma sociedade mais justa. Ubuntu, princípio filosófico africano, reafirma a ideia de que “eu sou porque nós somos”, e que não há humanidade sem reconhecimento e respeito mútuo.
Durante o cortejo, os participantes seguem vestidos de branco, em um gesto simbólico de paz, resistência e denúncia ao racismo estrutural e à intolerância religiosa ainda enraizados na sociedade. A Caminhada das Águas de Oxalá promove também o diálogo inter-religioso, a defesa das políticas públicas, a educação em direitos humanos e a valorização das culturas de matriz africana, em consonância com marcos legais e institucionais.
Mais do que um evento religioso, a Caminhada se configura como um espaço de formação cidadã, de construção coletiva e de afirmação de direitos. A cada edição, amplia sua relevância como instrumento de mobilização e conscientização, convocando toda a população a caminhar pelo respeito, pela diversidade e pela paz.