
O Cabo de Santo Agostinho foi destacado no Anuário da Segurança Pública como a quinta cidade brasileira com maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2024. Com 73,3 mortes por 100 mil habitantes, o dado alarmante levou o prefeito Lula Cabral (SD) a anunciar uma ação direta junto ao Governo Federal para conter a violência.
Na próxima quarta-feira (29), Lula Cabral irá até Brasília para entregar pessoalmente uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, o gestor municipal expõe a grave situação de insegurança e pede o envio da Força Nacional de Segurança Pública para o município. O apelo também será levado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
A medida foi tomada após a negativa da governadora Raquel Lyra (PSD), que em junho recusou o pedido de Cabral por apoio federal. Na ocasião, ela alegou que os índices de criminalidade no município estavam em queda e que reforçaria o efetivo da Polícia Militar com novos concursados. A previsão é de que 2.400 policiais sejam nomeados no próximo mês e, até 2026, todos os 7 mil aprovados estejam nas ruas.
Durante entrevista à TV Nova, o prefeito lamentou a resposta do governo estadual e ressaltou que o Cabo lidera o ranking da violência em Pernambuco. Segundo ele, a cidade enfrenta uma grave crise de segurança pública, com atuação intensa de facções criminosas e um clima de medo entre os moradores. “Infelizmente, as facções estão dominando o Cabo. A população vive com medo de sair de casa”, afirmou.
O gestor destacou que o município conta com apenas 320 policiais militares para atender cerca de 320 mil habitantes entre o Cabo e Ipojuca. “Depois das 10 da noite, parece que há um toque de recolher. As ruas ficam desertas”, alertou, apelando mais uma vez à governadora para reconsiderar a decisão.
Lula Cabral também mencionou o caso de Paulista, que em 2019 recebeu o reforço da Força Nacional por solicitação do então governador Paulo Câmara. Segundo ele, a presença da tropa federal contribuiu significativamente para a redução da violência após pouco mais de um ano de atuação.
Para o prefeito, o Cabo precisa de atenção urgente, principalmente por ser a quarta economia de Pernambuco e estar em processo de expansão industrial, com a retomada de obras da Refinaria Abreu e Lima. Ele acredita que o envolvimento direto do presidente Lula pode ser decisivo para mudar o cenário atual.
