
Durante seu discurso de posse nesta quarta-feira (29), Guilherme Boulos, novo titular da Secretaria-Geral da Presidência da República, fez críticas contundentes à Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro, que já resultou em pelo menos 119 mortes. A declaração foi feita no Palácio do Planalto, diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve presente, mas não discursou.
Logo no início de sua fala, Boulos solicitou um minuto de silêncio em homenagem a todas as vítimas da operação — incluindo moradores das comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, além de policiais mortos durante a ação. O gesto foi uma das primeiras manifestações públicas do governo em relação à operação, marcada por denúncias de abusos e uso excessivo da força.
Ao criticar a forma como o combate ao crime tem sido conduzido, Boulos afirmou que “a cabeça do crime organizado desse país não está no barraco de uma favela”, e sim em esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo setores da elite financeira. “Está na Faria Lima, como vimos na Operação Carbono Oculto da Polícia Federal”, pontuou, referindo-se à investigação que desvendou práticas ilegais de movimentações financeiras sofisticadas.
A fala do novo ministro reflete um posicionamento político sobre a abordagem de segurança pública e sinaliza que o tema deverá ganhar maior destaque dentro da articulação do governo federal.
