Boicote ao Carrefour cresce no Brasil com adesão de grandes associações e frigoríficos

O movimento de boicote ao Carrefour no Brasil ganhou força nos últimos dias, com adesão crescente de entidades do setor de bares, restaurantes e agropecuária. A Federação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Estado de São Paulo (Fhoresp) e frigoríficos como JBS, Marfrig e Masterboi anunciaram a suspensão de compras e fornecimento à rede. Segundo Edson Pinto, diretor-executivo da Fhoresp, a ação já mobiliza cerca de 500 mil empresas no estado de São Paulo, com apoio de outras associações pelo país.
A crise foi impulsionada por desdobramentos das negociações entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, com críticas ao Brasil sobre práticas agrícolas. Na França, agricultores pressionaram o presidente Emmanuel Macron, que tem se posicionado contra o acordo comercial. O Carrefour foi alvo de protestos, sendo acusado de rejeitar carne brasileira para o mercado francês, o que gerou forte reação entre empresários brasileiros.
Em resposta, o Carrefour Brasil afirmou lamentar a situação e destacou que está em diálogo para restabelecer o fornecimento de carne em suas lojas. A rede também reafirmou compromisso com seus colaboradores e clientes no país.
Entidades como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) publicaram uma carta aberta criticando a postura do Carrefour e questionando os critérios utilizados para rejeitar carne brasileira na França. “Se uma carne brasileira não serve para o Carrefour na França, é difícil entender como ela poderia abastecer qualquer outro mercado”, afirmaram.
Nesta terça-feira (26), a ABPA se reúne com outras organizações, como a Fiesp e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), para discutir novas ações em resposta ao Carrefour.
A polêmica ocorre em meio à pressão da França para bloquear o acordo comercial entre a UE e o Mercosul. Durante o G20 no Rio de Janeiro, Macron reafirmou sua oposição, citando preocupações ambientais e temores sobre a concorrência agrícola. Embora países como Alemanha e Espanha apoiem o tratado, a resistência francesa pode exigir apoio de outros países para formar uma “minoria de bloqueio” na União Europeia.
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