
O anúncio do governo de Pernambuco sobre o reajuste de 9,88% na conta de água gerou revolta entre consumidores de diversas cidades, que já enfrentam dificuldades com a escassez de abastecimento. Em Gravatá, no agreste, moradores de vários bairros relatam problemas frequentes com a falta d’água, intensificando as críticas contra a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
O aumento, que elevará a tarifa mínima de R$ 56,16 para R$ 61,70, precisa ainda ser aprovado pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) e, caso confirmado, entrará em vigor no início de 2025. Para aqueles que pagam taxas de água e esgoto, o impacto será ainda maior, com o valor total da conta passando de R$ 112,32 para R$ 123,40.
A situação é especialmente preocupante em Gravatá, onde moradores de bairros como Alpes Suíços, Jucá e Cohab relatam dias sem água nas torneiras. “É um absurdo aumentarem a tarifa enquanto a gente vive comprando caminhão-pipa. A Compesa não entrega o serviço, mas quer cobrar mais caro”, desabafou um morador da região.
Embora o governo estadual tenha anunciado a ampliação da tarifa social, que beneficiará famílias de baixa renda com valores reduzidos, muitos consumidores afirmam que a medida é insuficiente diante do impacto do reajuste para a maioria da população. A nova “Tarifa Social de Vulneráveis” custará R$ 27,47 apenas para água, mas o número de beneficiados ainda é incerto, gerando críticas sobre a eficácia da iniciativa.
Do total do aumento, o governo explicou que 1,16% corresponde ao reajuste da inflação no período, enquanto 8,72% será destinado à implantação da nova tarifa social. Apesar disso, o argumento não convenceu consumidores que já enfrentam dificuldades financeiras.
A Compesa informou que o reajuste é necessário para garantir a sustentabilidade dos serviços e ampliar os benefícios sociais. No entanto, os consumidores pedem melhorias urgentes no abastecimento antes de qualquer aumento ser aplicado. A insatisfação é geral e reflete a crise de confiança nos serviços de saneamento em todo o estado.
