A Região Metropolitana do Recife registrou, no mês de agosto, um preocupante aumento na violência armada relacionada a assaltos. Ao todo, 11 pessoas foram baleadas durante roubos e tentativas de roubo, das quais cinco vieram a óbito e seis ficaram feridas. O número de vítimas é consideravelmente superior ao de agosto de 2023, quando apenas uma pessoa foi baleada e sobreviveu, segundo dados divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado.
O crescimento da violência armada também é evidente ao se observar o comparativo com os meses anteriores de 2024, destacando agosto como o mês mais violento. Em janeiro, foram seis baleados, com uma morte. Fevereiro teve 10 vítimas, das quais quatro morreram. O mês de julho, o menos violento do ano, registrou apenas dois baleados, com uma morte.
Ana Maria Franca, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado em Pernambuco, afirmou que a crescente insegurança nas ruas do Grande Recife reflete o agravamento dos crimes patrimoniais, que, quando acompanhados do uso de armas de fogo, geram consequências fatais. “Andar e trabalhar pelas ruas tem se tornado cada vez mais perigoso”, destacou.
Explosão de tiroteios e aumento de vítimas em agosto
O relatório do Instituto Fogo Cruzado revelou ainda que, ao longo de agosto, ocorreram 145 tiroteios/disparos de arma de fogo na região, representando um aumento de 5% em relação ao mesmo período de 2023. Em 97% desses tiroteios houve vítimas baleadas, totalizando 171 pessoas, das quais 119 morreram e 52 ficaram feridas. O número de mortos apresentou uma leve queda de 4%, mas o de feridos teve um crescimento alarmante de 79% em comparação a agosto de 2023.
Entre os dias mais violentos do mês, o dia 25 se destacou com 11 tiroteios e 12 mortos, enquanto o dia 1º teve o maior número de feridos, com 12 vítimas.
Recife e Jaboatão dos Guararapes lideram em número de tiroteios
Dentre os municípios mais afetados, Recife e Jaboatão dos Guararapes concentraram a maior parte dos incidentes. Recife registrou 53 tiroteios, resultando em 39 mortos e 33 feridos. Jaboatão dos Guararapes teve 21 tiroteios, com 18 mortos. Os bairros de Afogados, Vera Cruz e Muribeca também figuraram entre os mais violentos da capital e seus arredores.
Perfil das vítimas e locais de maior risco
Os dados revelam que a maior parte das vítimas fatais eram homens (112 de um total de 119 mortos) e que a violência atinge majoritariamente a população negra. Entre os baleados, 61 eram negros e apenas sete brancos. Além disso, 18 adolescentes foram baleados ao longo de agosto, dos quais 12 morreram.
O relatório também aponta que 15 pessoas foram baleadas dentro de suas próprias casas, das quais 13 morreram. Outra parte das vítimas foi alvejada em automóveis, bares e até em postos de gasolina, reforçando a sensação de insegurança em diferentes locais.
Acumulado do ano reflete tendência de alta na violência
Os números acumulados de 2024 mostram um crescimento contínuo da violência armada na Região Metropolitana do Recife. De janeiro a agosto, foram registrados 1.248 tiroteios, resultando em 1.399 pessoas baleadas, das quais 1.003 morreram. Esses dados representam um aumento de 6% no número de tiroteios e de 3% no total de mortos, comparado ao mesmo período de 2023.
A situação evidencia uma escalada preocupante da violência e da insegurança pública, exigindo ações emergenciais para conter o aumento dos crimes com uso de armas de fogo na região.
