
Cerca de quatro quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, foram tomados neste sábado (7) por manifestantes que participaram de um ato em defesa da anistia aos réus investigados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, com foco principal no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF). O evento foi promovido pelo pastor Silas Malafaia e reuniu apoiadores, lideranças políticas e religiosas.
Em meio a cânticos religiosos, lágrimas, orações e palavras de ordem, os manifestantes clamaram pela “liberdade de Bolsonaro” e pediram seu retorno à disputa presidencial de 2026. A manifestação, que durou aproximadamente 2h30, teve como linha central o apelo por uma anistia ampla aos envolvidos nos atos antidemocráticos.
Entre as figuras políticas presentes estavam os governadores Romeu Zema (Minas Gerais) e Tarcísio de Freitas (São Paulo), além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A ordem dos discursos foi cuidadosamente planejada, com Tarcísio falando antes de Malafaia, que, por sua vez, antecedeu Michelle — tratada como figura central do encerramento.
Tarcísio, que vinha sendo cogitado como possível nome da direita para 2026, deixou claro, ao lado de outros líderes, que Bolsonaro continua sendo o principal representante do grupo conservador. Malafaia reforçou a tese de “perseguição” ao ex-presidente e exigiu o arquivamento dos processos contra ele.
Michelle Bolsonaro, visivelmente emocionada, abriu sua fala com um louvor e disse estar sendo humilhada pela prisão domiciliar do marido. Em um dos momentos mais marcantes do ato, ela rezou um Pai-Nosso ao microfone e pediu perdão a Deus para o ministro Alexandre de Moraes, responsável por conduzir os processos ligados à tentativa de golpe.
A manifestação, marcada por forte teor religioso e político, serviu para consolidar o apoio da base bolsonarista e colocar Jair Bolsonaro novamente no centro da agenda da direita brasileira, mesmo sob restrições judiciais.
