Arquiteto é agredido com soco no rosto ao se apresentar como drag queen no Carnaval de Olinda

Um arquiteto e artista pernambucano denuncia ter sido alvo de agressão física e homofobia durante o Carnaval de Olinda. Augusto Mendonça afirma que levou um soco no olho após ser ofendido por um grupo de jovens enquanto caminhava pelo Sítio Histórico, no domingo (15), por volta das 21h.
O episódio, que só veio a público na quarta-feira (18), reacende o debate sobre violência contra pessoas LGBTQIA+ em espaços de festa e grande circulação. A Polícia Civil abriu investigação para identificar os responsáveis.
Segundo Augusto, ele estava fantasiado como drag queen — com peruca, maquiagem e cílios postiços — e havia ido encontrar amigos nas ladeiras de Olinda. O carro foi deixado no Varadouro, e o celular permaneceu dentro do veículo por receio de assalto.
Sem conseguir localizar os amigos e sem meios de comunicação, decidiu retornar sozinho. No trajeto pelo bairro do Carmo, percebeu a aproximação de um grupo de jovens. Um deles teria iniciado as provocações com xingamentos homofóbicos.
Pouco depois, outro grupo se aproximou, aumentando o número de pessoas ao redor dele para cerca de 15. De acordo com o arquiteto, um dos integrantes se aproximou e desferiu um soco direto em seu olho. Ele relata que sentiu tontura imediata e começou a sangrar, enquanto os agressores seguiram caminho.
Temendo nova violência, preferiu não reagir.
Atendimento médico e silêncio inicial
Mesmo ferido, Augusto caminhou até encontrar um vendedor ambulante, de quem pediu gelo para conter o inchaço. Em seguida, retornou ao carro. Ele contou que passou por viaturas da Polícia Militar, mas decidiu não acionar os agentes naquele momento.
De volta ao Recife, buscou atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) dos Torrões, onde recebeu medicação, fez exames e passou por curativo.
Nos dias seguintes, manteve o ocorrido em segredo por vergonha e receio de preocupar familiares e amigos. Inicialmente, disse à mãe que havia sofrido uma queda. A decisão de tornar o caso público veio após refletir sobre a importância de denunciar agressões motivadas por preconceito.
Registro na delegacia e investigação
Na quinta-feira, Augusto formalizou a denúncia na Delegacia do Varadouro, em Olinda. Ele também passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML), no Centro do Recife.
A Polícia Civil informou que trabalha para identificar os suspeitos envolvidos na agressão.
“Não vou desistir”, afirma vítima
Além de arquiteto, Augusto atua como ator e bailarino desde a adolescência. Ele contou que começou a se montar como drag queen há cerca de seis meses, por expressão artística e diversão.
Mesmo reconhecendo os riscos de violência, afirmou que não pretende abandonar a causa. Segundo ele, tornar o caso público é uma forma de dar visibilidade à luta contra a homofobia e cobrar responsabilização dos envolvidos.
O caso agora segue sob investigação. A expectativa é que imagens e possíveis testemunhas ajudem a esclarecer a autoria da agressão.



