Anvisa mantém restrições contra produtos da Ypê após identificar risco sanitário elevado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu manter as restrições impostas aos produtos da Ypê fabricados na unidade de Amparo, no interior paulista. Em decisão tomada nesta sexta-feira, a diretoria da agência formou maioria para preservar o veto à fabricação, comercialização e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes cujos lotes terminam com o número […]
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu manter as restrições impostas aos produtos da Ypê fabricados na unidade de Amparo, no interior paulista.
Em decisão tomada nesta sexta-feira, a diretoria da agência formou maioria para preservar o veto à fabricação, comercialização e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes cujos lotes terminam com o número 1.
Apesar da manutenção das medidas, a Anvisa flexibilizou o processo de recolhimento dos produtos já vendidos aos consumidores. A orientação é para que os itens sejam armazenados até que a empresa apresente oficialmente um plano de retirada escalonada do mercado.
Segundo o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, as inspeções realizadas na unidade industrial identificaram falhas estruturais e operacionais consideradas graves.
De acordo com Safatle, permanece uma “inequívoca configuração de risco sanitário elevado”, relacionada a problemas sistêmicos nas boas práticas de fabricação da companhia.
A agência informou que auditorias feitas no fim de abril apontaram indícios de dificuldades da empresa em cumprir integralmente as normas regulatórias, além de problemas considerados mais amplos do que falhas isoladas.
Entre os pontos citados pela Anvisa está a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, que pode causar infecções na pele, olhos e sistemas urinário e respiratório, especialmente em pessoas mais vulneráveis.
O órgão regulador também afirmou ter encontrado mais de 140 lotes contaminados armazenados em estoque sem separação adequada ou notificação formal.
A análise realizada nesta sexta-feira tratou apenas da suspensão automática das restrições após recurso administrativo apresentado pela empresa. O mérito do pedido da Ypê ainda será discutido em uma nova reunião da agência.
Segundo a Anvisa, a empresa já foi alvo de medidas regulatórias em outros anos, incluindo 2008, 2024, 2025 e 2026, todas relacionadas a possíveis falhas no controle de qualidade.
A crise ganhou forte repercussão nas redes sociais e passou a ser explorada politicamente por apoiadores e lideranças bolsonaristas, que criticaram a atuação da agência e divulgaram teorias sem comprovação relacionadas à decisão.
Mesmo após conseguir uma suspensão temporária das restrições em recurso anterior, a Ypê decidiu interromper a produção na fábrica de Amparo para realizar ajustes internos e adequações exigidas pela Anvisa.