
A diretoria colegiada da Anvisa se reuniu nesta quarta-feira (28) para avançar na discussão sobre a regulamentação da cannabis medicinal no Brasil. O encontro teve como foco a revisão das normas que hoje controlam o acesso e a produção de produtos derivados da planta no país, um tema que vem ganhando relevância jurídica, científica e social.
Durante a reunião, a agência apresentou três propostas de novas resoluções. Os textos tratam de pontos centrais da política pública para o setor: o cultivo de cannabis para fins medicinais e farmacológicos, a realização de pesquisas científicas com a planta e a definição de regras para a atuação de associações de pacientes que utilizam esses produtos como parte de tratamentos de saúde.

O debate ocorre na esteira de uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu a necessidade de uma regulamentação clara para o plantio de cannabis destinado exclusivamente a usos medicinais e farmacológicos. A determinação aumentou a pressão para que a Anvisa estabeleça critérios objetivos e seguros para o funcionamento da cadeia produtiva.
Entre as exigências previstas nas propostas apresentadas estão a limitação do cultivo apenas a pessoas jurídicas, a obrigatoriedade de inspeção sanitária antes do início das atividades e a adoção de protocolos rigorosos de segurança. As medidas incluem monitoramento por câmeras durante 24 horas e o georreferenciamento das áreas de plantio, com o objetivo de evitar desvios e garantir o controle estatal sobre a produção.
A Anvisa avalia que a atualização das regras pode ampliar o acesso a tratamentos à base de cannabis, ao mesmo tempo em que fortalece a fiscalização e estimula a pesquisa científica no país. As propostas ainda devem passar por novas etapas de análise e podem ser submetidas a consulta pública antes de uma decisão final.
A expectativa é que o avanço da regulamentação traga maior segurança jurídica para pacientes, pesquisadores e empresas, além de abrir caminho para novos investimentos e estudos clínicos no Brasil. Novos desdobramentos sobre o tema devem ser discutidos nas próximas reuniões da agência.








