
Um caso que mistura esporte de aventura e responsabilidade criminal está mobilizando a Justiça da Áustria. O alpinista Thomas Plamberger, de 39 anos, passou a responder por homicídio culposo após a morte da namorada, Kerstin Gurtner, durante uma escalada em uma das regiões montanhosas mais elevadas do país.
A acusação sustenta que Kerstin foi deixada sozinha em condições climáticas severas, já debilitada, e acabou morrendo por hipotermia. O episódio ocorreu durante uma travessia em ambiente de frio intenso e ventos fortes, cenário comum em altitudes elevadas, mas que exige planejamento rigoroso e equipamentos adequados.

O que pesa contra o alpinista
De acordo com as autoridades austríacas, a vítima estava exausta, desorientada e com sinais de hipotermia quando foi deixada sem abrigo apropriado. A investigação aponta que ela não tinha saco de dormir para emergências nem cobertores térmicos, itens considerados essenciais em situações extremas.
Os promotores argumentam que Plamberger tinha mais experiência em montanhismo e conhecia as limitações da companheira, que possuía menor vivência em escaladas de alta montanha. Para a acusação, caberia a ele agir como guia responsável e priorizar a segurança da dupla.
O alpinista deixou o local por volta das 2h da madrugada para buscar ajuda. O alerta oficial de resgate foi emitido cerca de uma hora e meia depois, às 3h30. As equipes só conseguiram chegar à área às 10h da manhã, enfrentando dificuldades causadas por rajadas de vento que prejudicaram inclusive a atuação de helicópteros. Kerstin foi encontrada já sem vida.
Imagens anexadas ao processo mostram Plamberger descendo sozinho a encosta. O juiz do caso também apontou inconsistências na versão apresentada pela defesa ao analisar registros do ponto onde o corpo foi localizado, indicando que a vítima pode ter tentado descer por conta própria antes de cair.
Defesa e possível pena
Plamberger se apresenta como praticante amador e afirma que sempre organizava as caminhadas com antecedência ao lado da namorada. Segundo sua defesa, após horas expostos ao frio extremo, Kerstin teria pedido para que ele fosse buscar socorro.
O processo ganhou ainda mais repercussão após uma ex-companheira relatar ter vivido situação semelhante no passado, também em ambiente de montanha e após uma discussão, o que ampliou o debate público sobre conduta e responsabilidade em esportes de risco.
Se condenado, o alpinista pode pegar até três anos de prisão. O julgamento segue em andamento e deve aprofundar a discussão sobre os limites entre imprudência, negligência e fatalidade em atividades de aventura.








