
A realização dos chamados “intervalos bíblicos” nas escolas da rede pública de Pernambuco voltou a ser tema de debate na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta terça-feira (16). A audiência pública conjunta, promovida pelas comissões de Saúde e Educação no Auditório Sérgio Guerra, abordou os impactos da prática no bem-estar emocional e acadêmico dos estudantes.
Durante os intervalos escolares, alunos se reúnem voluntariamente para ler a Bíblia e entoar hinos religiosos. O deputado Adalto Santos (PP), presidente da Comissão de Saúde, destacou os benefícios desses encontros para o equilíbrio emocional e desempenho acadêmico dos jovens. “Uma pausa reflexiva e espiritual ajuda a lidar com os desafios da vida com mais serenidade”, defendeu o parlamentar, que anunciou a formulação de um projeto de lei para assegurar a prática nas escolas.
O deputado Renato Antunes (PL), membro da Comissão de Educação, criticou questionamentos feitos sobre os encontros e afirmou que outras questões, como a violência escolar e a falta de merenda, deveriam ser prioridades. “Estão alarmados porque tem crente lendo a Bíblia. Há problemas mais urgentes a serem resolvidos”, afirmou Antunes.
O debate contou com a participação de especialistas e líderes religiosos. O psicólogo Jades Júnior mencionou estudos que associam espiritualidade à melhora nos níveis de saúde mental. O pastor Isaac Silva ressaltou o impacto positivo dos encontros no combate à depressão entre jovens.
Do lado da fiscalização, o promotor Salomão Ismail Filho, do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), esclareceu que a instituição não tem a intenção de proibir os encontros, mas sim de investigar possíveis abusos, como uso de som alto, participação de docentes e presença de pessoas externas à comunidade escolar. “O Estado é neutro e deve harmonizar todas as partes envolvidas, garantindo a liberdade religiosa sem violar a laicidade”, destacou o promotor.
Gerente de saúde mental da Secretaria Estadual de Saúde, André Domingues de Assis alertou para a importância do respeito à diversidade religiosa e sugeriu o fortalecimento de disciplinas como filosofia e sociologia para estimular o pensamento crítico nos estudantes.
O debate também envolveu representantes de conselhos de direitos humanos, juristas e conselheiros tutelares, além de líderes religiosos. O deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) defendeu a liberdade religiosa nas escolas, enquanto Joel da Harpa (PL) considerou haver “movimento de perseguição” à prática. O deputado licenciado Pastor Cleiton Collins (PP) criticou a ausência de representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) no debate.
Micaías Barreto, aluno da Escola Estadual Pedro Barros Filho, em Jaboatão dos Guararapes, compartilhou sua experiência ao participar dos encontros. “Uns usam o intervalo para lanchar, outros para jogar bola. Nós usamos esse tempo para adorar a Deus”, afirmou.
A audiência reforçou a necessidade de garantir o direito constitucional à liberdade de consciência e crença, ao mesmo tempo em que busca fiscalizar eventuais abusos, assegurando a neutralidade do Estado.
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