Alcolumbre quer votar fim da escala 6×1 antes do segundo turno, afirma ministro
José Guimarães diz que presidente do Senado pretende cumprir todas as etapas de discussão da PEC; governo cobra posicionamento da oposição e cita grupo ligado a Flávio Bolsonaro

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 deverá avançar no Senado antes do segundo turno das eleições. Segundo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está decidido a colocar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão e votação.
A sinalização ocorreu após uma reunião realizada nesta terça-feira (6), na residência oficial da Presidência do Senado. Guimarães afirmou que comunicará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a intenção de Alcolumbre de levar a matéria ao plenário antes da segunda etapa da eleição presidencial.
Antes da votação, porém, o Senado deverá cumprir o rito previsto para a proposta. De acordo com o ministro, serão realizadas cinco sessões de discussão. Três estão programadas para esta semana e outras duas deverão ocorrer na próxima.
Embora exista a possibilidade de construção de um acordo para acelerar o calendário, Guimarães afirmou que Alcolumbre prefere garantir espaço para o debate entre os senadores. A estratégia, segundo ele, é seguir rigorosamente as regras regimentais antes de submeter a PEC à votação.
A tramitação também deverá ampliar o embate entre governo e oposição no Senado. Guimarães direcionou uma provocação ao grupo político ligado ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, afirmando que deseja acompanhar como esses parlamentares votarão quando a proposta chegar ao plenário.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), que também participou da reunião, considera que existe tempo suficiente para concluir as discussões e realizar a votação. Segundo ela, a bancada governista está mobilizada para aprovar a mudança.
Teresa afirmou ainda que parte significativa da oposição, especialmente senadores coordenados por Flávio Bolsonaro, já demonstrou resistência ao fim da jornada 6×1. Para a parlamentar, a votação dará aos integrantes desse grupo a oportunidade de registrar oficialmente suas posições sobre a proposta.
O governo pretende trabalhar também pela adesão de senadores independentes. A expectativa apresentada por Teresa Leitão é de que parte desses parlamentares possa se juntar à base governista durante a votação.
Caso o calendário apresentado seja mantido, a discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhará espaço no Senado justamente durante a campanha do segundo turno, transformando a votação em mais um tema de confronto político antes da decisão presidencial nas urnas.



