
A gravidez é um momento de grandes mudanças físicas e psicológicas na mulher. Entender o corpo e os seus sinais que ele dá durante o processo inicial é fundamental para a identificação de possíveis irregularidades, como um aborto, por exemplo. Nestes casos, o abortamento é considerado precoce quando ocorre até a 12ª semana de gestação e tardia quando ultrapassa as 13 semanas, podendo ocorrer naturalmente até a 20-22ª semana (cerca de cinco meses). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 20% das mulheres já sofreram pelo menos um aborto espontâneo, sendo essa, a causa mais corriqueira da perda de um bebê no período gestacional.
O atraso da menstruação é um dos sinais mais comuns e indicativo mais assertivo do início de uma gravidez. Enjoos, excesso de sono e indisposição também são alguns sintomas clássicos desse período. Esses indícios, na maioria dos casos, vão cessando com o passar das semanas, quando ocorre a estabilização hormonal da gestante. Entretanto, o desaparecimento dessas ocorrências de forma abrupta pode ser indício de uma perda gestacional. “Quando o feto para de evoluir, os níveis de hormônios caem e os sintomas vão sendo suspensos”, esclarece o ginecologista e obstetra Itamar Santana.
Para o médico, o principal sinal de aborto é o sangramento, especialmente se vier acompanhado de pequenos coágulos. “Cólicas e pequenos sangramentos são sintomas naturais nas primeiras semanas de gravidez, visto que o útero está expandindo e estão ocorrendo reações no endométrio. Mas, quando essas manifestações do corpo se intensificam, é importante buscar imediatamente um médico para análise do caso, porque pode ser o indício de um aborto. Quando há um sangramento importante no início da gestação, consideramos como uma ameaça de abortamento, até que seja avaliado o que realmente está acontecendo.”, explica.
As mulheres que passam pelo processo de óbito embrionário e não apresentam desconfortos e, normalmente, só descobrem a perda do feto através do exame de ultrassom. A perda é conhecida como aborto retido. “A maioria dos casos de aborto retido se dá pela má evolução do embrião, causada por malformações fetais e anormalidades cromossômicas. Contudo, mulheres que têm doenças como diabetes e hipertensão descontroladas, hipotireoidismo, ou infecções como HIV, toxoplasmose e sífilis, além de miomas uterinos e malformações uterinas, são as mais suscetíveis a perda gestacional precoce”, diz Itamar.
No caso da confirmação do aborto retido, algumas mulheres ainda precisam passar pelo processo de esvaziamento uterino, quando não acontece a expulsão espontânea. O processo visa garantir que não ficarão resquícios do feto no corpo da paciente, evitando, assim, infecções e complicações que comprometam uma possível nova gestação. Esse esvaziamento pode ocorrer de forma química (com a aplicação de medicações para ajudar a expulsar) e física (através da AMIU ou curetagem). Mas cada caso precisa ser avaliado por um profissional.
A perda gestacional pode acarretar problemas não só físicos, mas impactar na saúde mental da mulher. Esse momento, segundo Itamar, não pode ser tratado como mera casualidade. “É fundamental dar a devida importância a esse momento, oferecendo não só assistência médica, mas, em um número expressivo de casos, o acompanhamento psicológico, psicoterápico e familiar para que a mulher consiga passar pelo seu luto da melhor forma possível”, detalha.
É importante lembrar, também, que a perda gestacional garante o afastamento total das suas atividades laborais por um período de 15 dias, para que haja tempo para uma recuperação física do procedimento, além de dar início ao suporte emocional. Durante todo esse processo, a mulher deve contar com seu obstetra, para que ele possa auxiliá-la nesse momento tão difícil.
