20.3 C
Gravatá

A ilusão política

Artigo escrito por João Gabriel

“Que candidato desejaria dizer aos seus eleitores que os considerava demasiado estúpidos, ignorantes e ignorantes para saberem o que era melhor em política, e que suas exigências eram tão absurdas para o futuro do país? Que estadista, rodeado de repórteres que transmitiram suas palavras para as mais remotas tavernas de esquina, diria exatamente o que pensava?” – Eric Hobsbawm, A Era dos Impérios, 140.

Quando a política de massa começou a farsa política tornou-se o maior objetivo a ser alcançado tanto pelos eleitores como pelos candidatos. A obstrução da verdade ocorria não nos corredores obscuros e frios dos compartimentos públicos, mas na embriaguez dos eleitores e dos candidatos. Uma única verdade deveria reverberar e ser dita por todos e para todos, aquela verdade que eles acreditavam; e mesmo homens opostos em ofício e em classe, mesmo opostos em religião ou em partidarismo, sofriam do mesmo mal: ter uma mentira própria para carregar como verdade.

Desde aqueles desafortunados semi-escravos nas minas e nos estábulos, que ganhavam apenas o suficiente para não morrer aos senhores da sociedade que passavam o dia ouvindo ópera e debatendo cultura e filosofia com seus senhores em seus salões; todos eles tinham uma coisa em comum, uma única ilusão, um único desejo e uma única fé: aquela de que a política salvaria suas almas.

A política da ilusão, da hipocrisia e do humor negro, ela surgiu porque os homens simples esperavam que fossem deuses os seus senhores; enquanto os senhores precisavam dos sacrifícios dos senhores adoradores. 

Quando o que importa para uma população não é a verdade contida em uma narrativa, mas tão somente a beleza da farsa, ela firma um contrato social com o farsante, que diz o que ela quer, mesmo sabendo que dele nada esperam, apenas uma anestesia, uma fórmula de encantar os próprios olhos.

A população dá à luz à homens néscios, que ascendem dela não para corromper-se, pois ele é ensinado a ser corrupto desde a sua meninice, muito menos a realizar grandes feitos a entrar para a história; eles ascendem do ventre da sociedade, pura e simplesmente para perpetuar o círculo vicioso, dos que querem ser enganados e do que engana.

A única responsabilidade do néscio capitão que no leme da sociedade se embriaga é unificar o trágico e o cômico, fazer a sociedade sorrir enquanto morre; enquanto entra pelos portões do cemitério.

Alguns filósofos no passado criaram uma “República das Letras”, nossos velhos e carrancudos políticos, concebidos por nós, homens que gostam de se enganar, criaram a “República dos Néscios”, e nela imperam, tornando néscios os nossos cidadãos. Nessa nossa republiqueta de néscios, nós temos uma espécie de democracia, criada nesta sociedade não pelos propósitos de sociedades que amam a liberdade; mas com o propósito de iludir, para que a sociedade de livre e espontânea vontade façam aquilo que, sem essa ilusão, precisaria coerção.

Ora, grandes estadistas, fora da hipocrisia humana, criaram colossais e magnânimos impérios, repúblicas e reinos; enquanto isso, nossos desejos e nossos impulsos levam nossos grandes estadistas às obras levemente superiores: eles são aplaudidos por nós ao inaugurar banheiros de esquina e iluminar prostíbulos públicos.

AUTOR: João Gabriel

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